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Correio da Manhã

Economia
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POLÍTICA DE BETÃO É BOATO

Portugal investe menos ‘per capita’ em construção que a média europeia, algo que está a influenciar negativamente o andamento das actividades económicas em geral. A Irlanda, uma das economias com maior sucesso em termos de crescimento na União Europeia, investiu, em 2001, cerca de 2,3 vezes mais que Portugal.
27 de Abril de 2003 às 00:00
A revelação foi feita pelo vice-presidente da Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP), Manuel Agria, em conferência de imprensa realizada em Lisboa, contraria a ideia de que o nosso país segue uma “política de betão”. Algo que até seria positivo, de acordo com os dados apresentados pelo responsável, pois reduzir o investimento público em construção, do ponto de vista do controlo do défice orçamental, “é um erro”: “Trava o crescimento económico” e “impede a cobrança de receitas fiscais em valor superior à despesa de investimento inicial”.
É que as obras públicas produzem um efeito multiplicador do investimento. Dados do Departamento de Prospectiva e Planeamento do Ministério das Finanças mostram que um investimento de um milhão de euros, por exemplo, traduz-se num crescimento de 1,065 milhões de euros no produto interno bruto (PIB) a curto prazo.
Já a médio e longo prazo, um milhão de euros investidos em infra-estruturas de transporte transformam--se em 9,5 milhões de euros de crescimento do PIB, “o que sugere que esta despesa consegue auto-financiar-se pelas receitas fiscais geradas”.
Como tal, a ANEOP considera que abdicar do investimento público como dinamizador da recuperação económica “põe em risco o aproveitamento integral dos fundos comunitários” e “trava o processo de convergência com o resto da Europa”. Pelo lado contrário, um corte de 100 milhões de euros em investimento cofinanciado pelo terceiro Quadro Comunitário de Apoio (QCA III) “reduz o PIB em 0,3 por cento” e “promove a eliminação de 14 mil empregos”.
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