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Correio da Manhã

Economia
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Portos à conquista da China

Os procedimentos administrativos para a descarga de contentores começam agora no mar, isto é, antes mesmo de os navios atracarem. Uma vantagem tecnológica já disponível em três portos nacionais e que vai ser sublinhada às autoridades e empresários chineses pela secretária de Estado dos Transportes, que inicia domingo uma visita oficial a Pequim.
7 de Setembro de 2007 às 00:00
Secretária de Estado dos Transportes chefia delegação
Secretária de Estado dos Transportes chefia delegação FOTO: André Nacho
A competitividade dos portos nacionais – sobretudo dos que estão já abrangidos por aquele sistema informático (Leixões, Sines e Lisboa) – vai estar em foco nesta visita oficial, chefiada por Ana Paula Vitorino, que pretende duplicar o movimento portuário nacional até 2015.
Os investimentos já feitos e em curso nos portos nacionais – superiores a 300 milhões de euros até 2010 – permitem colocar estas infra-estruturas no mapa das grandes movimentações mundiais de mercadorias, nomeadamente de e para a China.
“Pretendemos aumentar a utilização dos nossos portos por parte das companhias chinesas nas suas importações e exportações para a Europa e, em particular, para a Península Ibérica”, explicou a secretária de Estado dos Transportes.
A capacidade das infra-estruturas, a produtividade dos trabalhadores e a inovação tecnológica são algumas das vantagens dos portos nacionais que Ana Paula Vitorino vai sublinhar às autoridades chinesas.
Ontem mesmo foi aprovado em Conselho de Ministros o decreto-lei que regula os “actos e procedimentos aplicáveis ao acesso e saída de navios e embarcações de portos nacionais” e que visa desburocratizar os processos.
“Temos preços muito competitivos”, garante ainda ao CM Ana Paula Vitorino, recordando a simplificação administrativa já iniciada e que passa, por exemplo, pelo tratamento electrónico dos processos à distância. “Passámos de quatro a cinco dias para uma a duas horas ”, sublinha a governante, exemplificando assim as vantagens deste sistema – Janela Única Portuária – que resulta de uma colaboração entre dois ministérios: dos Transportes e das Finanças.
O porto de águas profundas de Sines é um dos mais bem posicionados neste quadro. É actualmente a principal entrada de mercadorias energéticas (petróleo, carvão e gás) e tem condições para assumir igual importância na carga em geral.
Com o aumento de tráfego do porto, Ana Paula Vitorino não tem dúvidas de que serão criados mais postos de trabalho “quer directos, quer indirectos, porque acabam por se fixar ali mais actividades”.
Recorde-se que durante os seis primeiros meses deste ano acostaram 38 navios por dia nos portos nacionais.
MULHERES PROTAGONIZAM VISITA OFICIAL
A promoção dos portos nacionais – um sector tradicionalmente associado aos homens – vai ser protagonizada por três mulheres: a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, a presidente do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, Natércia Cabral, e a presidente do Porto de Sines, Lídia Sequeira. As três serão responsáveis pelos principais acordos assinados em Pequim e Xangai com vista a aumentar o movimento de navios e carga nos portos portugueses. Para além de responsáveis públicos ligados aos portos, a visita à China inclui representantes de algumas das maiores construtoras, como a Mota-Engil e Somague. Uma presença explicada pelo facto de o homólogo chinês da secretária de Estado dos Transportes deter a pasta das Obras Públicas, facilitando assim a aproximação das empresas portuguesas. Por outro lado, a China está a preparar a maior obra pública do Mundo, a exposição de 2010 em Xangai (Expo Xangai), uma intervenção que pode constituir uma oportunidade para as áreas de construção e engenharia nacionais.
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