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Correio da Manhã

Economia
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PORTUGAL DE COFRES CHEIOS

Por inacreditável que pareça, Portugal tem mais reservas de ouro armazenadas do que países como a Rússia, África do Sul ou Inglaterra. Os dados são da responsabilidade do Fundo Monetário Internacional (FMI) e reportam-se ao passado mês de Fevereiro.
27 de Abril de 2003 às 00:00
De acordo com a tabela divulgada, Portugal terá armazenadas 591,8 toneladas em lingotes de ouro. Um número que deverá pecar por excesso, uma vez que não tem em conta as vendas já realizadas durante o ano de 2003 e que totalizam 75 toneladas. “Os cofres do banco central deverão ter 516,9 toneladas de ouro”, disse ao Correio da Manhã um especialista na matéria.
O top das entidades com maiores reservas de ouro no mundo incluem o Fundo Monetário Internacional (com 3,217 toneladas) e o Banco Central Europeu (com 766,9 toneladas). Em termos de países, o primeiro no ‘ranking’ são os Estados Unidos, com 8,149.0 toneladas armazenadas em Fort Knox, em segundo lugar aparece a Alemanha (3,445.8 toneladas) e em terceiro a França com 3,024.6 toneladas.
Portugal encontra-se no nono lugar dos países mais ricos em reservas de ouro, logo atrás da China (com 600 toneladas) e à frente da Espanha (com 523,4 toneladas).
“Tem existido da parte do Banco de Portugal uma estratégia de recomposição das reservas”, referiu a mesma fonte, acrescentando que, “a nível internacional as reservas de ouro são consideradas activas com fraca rentabilidade, e é manifesto que, para um País como Portugal, ter mais de 500 toneladas de ouro é um exagero”.
Só para se ter uma ideia, países como a Rússia têm, “apenas”, 387.7 toneladas em reservas de ouro e a África do Sul (um dos grandes produtores mundiais do metal precioso) tem, somente, 173,6 toneladas.
Embora o Banco de Portugal não comente a sua estratégia de venda de ouro, o CM sabe que alienação do metal precioso deverá continuar, reforçando o “fundo de reserva especial” entretanto criado.
A possibilidade destas vendas estarem associadas à necessidade de equilibrar as contas públicas foi afastada por uma fonte do Governo, que referiu a existência de uma proibição a nível comunitário de ajuda dos bancos centrais aos respectivos governos.
Seja como for, a verdade é que as reservas de ouro são propriedade da República Portuguesa e não do banco central, podendo-se questionar da utilidade das mesmas, quando existe uma moeda única e quando os constrangimentos orçamentais impedem os países de lançar mão das suas riquezas numa situação de crise económica.
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