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Correio da Manhã

Economia
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Portugal é o único país em recessão

Portugal vai ser o único dos 34 países da OCDE em recessão em 2012. Já recentemente tinha ‘ganho’ esse título na União Europeia. Segundo as previsões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, para além da contracção da economia nos próximos dois anos, o desemprego vai voltar a bater recordes e as famílias vão pôr um travão a fundo nos gastos.
26 de Maio de 2011 às 00:30
Famílias vão pôr um travão no consumo, mesmo nos bens essenciais, como a alimentação
Famílias vão pôr um travão no consumo, mesmo nos bens essenciais, como a alimentação FOTO: Jupiterimages

Segundo o Boletim Económico da OCDE ontem divulgado, Portugal vai ser o único país da OCDE a sofrer uma contracção económica. As previsões apontam para um recuo de 2,1% este ano e de 1,5% em 2012. Nesse ano, a segunda pior evolução das economias da OCDE é a de Espanha, que crescerá 1,6%.

A explicar a contracção da economia portuguesa nos próximos anos está o travão no consumo das famílias. Confrontadas com aumento de impostos, cortes nos salários e subida dos juros, a OCDE antecipa um recuo de 4,1% neste ano e de 3,7% no próximo.

O Banco de Portugal já tinha alertado para um recuo "sem precedentes" do rendimento disponível das famílias portuguesas.

Em recessão, o desemprego dispara, e deve atingir os 12,7% em 2012. Isto usando a antiga metodologia de cálculo do INE. A nova norma dá uma taxa de desemprego de 12,4% já no primeiro trimestre de 2011. Por isso, quando a OCDE adoptar a nova metodologia, a previsão de desemprego em 2012 deverá ser ainda mais alta. A organização estima também que o agravamento do desemprego se prolongue para lá de 2012.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, voltou ontem a apontar para a "insuficiência crónica da poupança" das famílias, empresas ou do Estado português, que têm agora uma oportunidade de inverter essa realidade.

O responsável, que falava numa conferência em Lisboa, alertou ainda para a "catarse" que serão os próximos anos, considerando que o pedido de ajuda era "inevitável e inadiável". Carlos Costa diz que há falta de "líderes clarividentes" e defende ainda a necessidade de se avaliar a idoneidade dos accionistas.

FMI JÁ ENVIOU PRIMEIRA TRANCHE DE 6,1 MIL MILHÕES

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já entregou na terça-feira a primeira tranche de ajuda financeira a Portugal, no valor de 6,1 mil milhões de euros, segundo fonte da instituição em Washington.

"A primeira tranche do empréstimo foi desembolsada no dia 24", disse a mesma fonte oficial do Fundo Monetário Internacional. Portugal vai receber pelo menos 12,6 mil milhões até à próxima quarta-feira entre o FMI e a União Europeia, tendo em atenção a colocação de dívida da UE para financiar o resgate português.

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