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Correio da Manhã

Economia
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Portugal está melhor mas desequilibrado nas contas

Contrariar baixa qualificação da mão de obra é uma das prioridades definidas.
Wilson Ledo 28 de Fevereiro de 2019 às 08:45
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Contrariar baixa qualificação da mão de obra é uma das prioridades definidas.
Mesmo com a economia nacional a crescer, a Comissão Europeia não facilita na avaliação a Portugal. Por isso mesmo, Bruxelas decidiu manter o País na lista dos Estados-membros com "desequilíbrios macroeconómicos".

Há um ano Portugal abandonou a categoria mais grave, de risco ‘excessivo’, mas há outros fatores que continuam a fazer soar as campainhas de alarme em Bruxelas: os elevados níveis de dívida pública e privada e o crédito malparado, que constituem, na visão da Comissão Europeia, as principais ‘vulnerabilidades’ da economia nacional.

As conclusões estão plasmadas no chamado ‘pacote de inverno do semestre europeu’, conhecido ontem e que acaba por fazer um ‘raio-x’ ao estado do País.

"Houve progressos consideráveis [em Portugal], mas ainda há algum trabalho a ser feito, que esperamos que seja prosseguido", afirmou ontem o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.

Para Bruxelas, uma das prioridades está em contrariar o baixo nível de qualificação da força de trabalho, que classifica como um obstáculo tanto ao aumento do investimento, como da produtividade de Portugal.

Mesmo com muito trabalho pela frente, a Comissão Europeia não deixa de elogiar os "progressos consideráveis" alcançados pelo País. Entre eles está a forte redução da taxa de desemprego "há vários anos", ou a diminuição do abandono escolar precoce.

Bruxelas debruça-se também sobre o setor bancário português e defende que os riscos "diminuíram" por causa da melhoria nos lucros e ainda "à luz de recapitalizações de grandes bancos em 2017", numa referência indireta à intervenção na Caixa Geral de Depósitos.

Apesar de afastar riscos significativos no curto prazo, a Comissão Europeia não mantém a mesma posição quando avalia a sustentabilidade orçamental de Portugal a médio prazo. "O rácio da dívida em relação ao PIB continua a ser de alto risco no médio prazo", justifica.

SAIBA MAIS 
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Portugal é um dos dez países que a Comissão Europeia considera terem "desequilíbrios macroeconómicos". Desta lista fazem parte grandes economias europeias como a Alemanha, a França ou Espanha.

Grupo de risco elevado
Do grupo de países com riscos considerados mais elevados – os chamados "desequilíbrios macroeconómicos excessivos" – fazem parte três países: Chipre, Grécia e Itália. Portugal saiu desta lista há um ano.

Crédito malparado
Apesar de os níveis de crédito malparado terem diminuído, a Comissão Europeia avisa que "permanecem comparativamente altos" e reconhece que houve "ação política" na área.

Conselhos a Portugal
Bruxelas deixa uma lista de conselhos. Entre eles, um maior investimento em inovação, a melhoria das infraestruturas de transportes ou a modernização das políticas de emprego.

Mexidas nos impostos
A Comissão Europeia sugere ainda, no referido relatório, que Portugal devia tornar o sistema fiscal e a despesa pública "mais amigos do crescimento".
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