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Correio da Manhã

Economia
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Precários já são mais de um milhão

Existem perto de 1,1 milhões de portugueses em trabalhos temporários ou contratos a prazo. Os números resultam do Fundo Monetário Internacional (FMI), que revela que Portugal tem a segunda maior taxa de trabalhadores temporários, ultrapassado apenas pela Espanha.
29 de Abril de 2010 às 00:30
Portugal tem a segunda maior taxa de trabalhadores temporários, ultrapassado apenas pela Espanha, segundo dados do FMI
Portugal tem a segunda maior taxa de trabalhadores temporários, ultrapassado apenas pela Espanha, segundo dados do FMI FOTO: Sérgio Lemos

De acordo com o boletim do FMI, apresentado esta semana, Portugal tem vindo a socorrer-se do trabalho precário desde 1995. O País fechou 2009 com uma taxa de 22,2 por cento de trabalhadores precários, face ao total da população empregada, que ronda os 5,5 milhões de portugueses. Espanha continua a ocupar o pódio, mas com uma tendência de inversão no recurso a temporários, ao contrário de Portugal, onde os estes recebem, em média, menos 15% do que alguém com um vínculo sem termo.

Os economistas do FMI revelam ainda que os contratados a prazo portugueses têm uma probabilidade de apenas 12,1 por cento de fazerem a transição para o contrato sem prazo. Muito distante dos 47,4 por cento de hipóteses dos austríacos, por exemplo.

A instituição liderada por Strauss-Kahn explica este recurso a vínculos precários em 2009 com a crise. É uma altura em que "os empregadores podem contratar temporários para fazer face ao aumento da produção e libertá-los quando a baixa produtividade o justifica, sem enfrentar qualquer custo de despedimento".

Portugal também baixou a rigidez da sua política de emprego, segundo o FMI. Usando o indicador Employment Protection Legislation Strictness (EPL), o Governo português, apesar de se manter acima da média europeia, tem facilitado a contratação, por parte das empresas, de trabalhadores em termos precários. Estes trabalhadores, revelam ainda as estatísticas internacionais, recebem menos formação por parte das empresas do que os seus colegas com contrato sem termo.

PORMENORES

GOVERNO ADMITE

A ministra do trabalho, Helena André, defende que "o Estado tem também que ter a possibilidade de recorrer a trabalho temporário porque é um trabalho legal". Existem 20 mil temporários no Estado, a que se juntam precários a prazo.

NEGÓCIO

O negócio das agências privadas de emprego já vale mais de 1,2 mil milhões de euros. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), trata-se de uma actividade em clara expansão, revelou recentemente o Público.

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