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Correio da Manhã

Economia
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Prejuízos atingem 665 milhões €

A requalificação da EN125, conhecida como subconcessão Algarve Litoral, vai gerar, entre 2010 e 2030, um prejuízo acima de 665 milhões de euros. Por ano, segundo uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) à Estradas de Portugal (EP), os encargos desta via rodoviária vão ser superiores às receitas em mais de 33 milhões de euros.

9 de Outubro de 2011 às 01:00
Os trabalhos são realizados por um consórcio de empresas
Os trabalhos são realizados por um consórcio de empresas FOTO: Luís Costa

Os dados da IGF deixam claro que a Algarve Litoral é, das sete subconcessões rodoviárias atribuídas pelo anterior Governo nos últimos três anos, a segunda menos dispendiosa para a EP. Apenas a auto-estrada do Baixo Alentejo terá, segundo a auditoria da IGF, menos encargos financeiros para a EP.

As conclusões da IGF contrastam com os resultados anunciados pelo Governo na altura da adjudicação da obra à Rotas do Algarve. A justificar a opção por este consórcio, o executivo foi então categórico: "A escolha do vencedor baseou-se ainda no facto de a Edifer propor o pagamento de 28,4 milhões à EP pela exploração da concessão ao longo de 30 anos, o que é inédito no programa de concessões rodoviárias apresentadas pelo Governo, uma vez que a EP vai receber em vez de pagar, quando o estudo de viabilidade apontava para um esforço financeiro da parte da EP de cerca de 50 milhões de euros."

Para o então ministro das Obras Públicas, Mário Lino, a requalificação da EN125 é "uma obra fundamental", por criar uma alternativa à Via do Infante. O Estudo Integrado dos Impactes Económicos Globais associados a esta concessão indicava que a requalificação da EN125 contribui para a "consolidação da mobilidade num sistema urbano difuso, denso e dinâmico, onde se assinalam problemas de congestão e sinistralidade.

RESULTADOS CAEM A PARTIR DE 2011

A Estradas de Portugal (EP) prevê, segundo a IGF, uma acentuada degradação dos prejuízos a partir de 2011. E tudo por causa do registo de gastos relacionados com subconcessões rodoviárias. 

MENOS VERBAS PARA INVESTIMENTO

O plano de investimento da EP vai sofrer uma quebra acentuada, em especial na expansão e modernização da rede. Passa de 172,3 milhões de euros em 2010 para 74,8 milhões em 2012.

ÁRVORES ANTIGAS EM RISCO DE ABATE COM REQUALIFICAÇÃO

A construção de uma rotunda, prevista pela concessão Algarve Litoral, num troço da EN125 na zona da Guia, Albufeira, põe em risco de abate cerca de 15 árvores centenárias.

"Não entendo a razão pela qual é necessária a construção de uma rotunda num local onde não há qualquer cruzamento", explicou ao CM Luís Cabrita, 55 anos, dono do terreno que fica situado entre a localidade de Pêra e o Zoomarine. O proprietário de uma firma de material de construção que fica junto da EN125 lembra que quando as instalações da empresa foram aprovadas, há 26 anos, a Junta Autónoma de Estradas obrigou a fazer um caminho paralelo, por motivos de segurança, e garante nunca ter havido acidentes. "Agora, tudo isso vai acabar", assume.

DISCURSO DIRECTO

"A EN125 VAI ENTUPIR", António Pina, Pres. do Turismo do Algarve 

Correio da Manhã – Que impacto terá a requalificação da EN125 no turismo?

António Pina – Vai melhorar o tráfego de carros, a segurança e também a imagem mudará para melhor. Tudo isso é um bom cartão de visita para o Algarve. Agora é preciso é que seja feita...

– Com a implementação das portagens na A22, a EN125 aguentará o fluxo de turistas?

– O que estava previsto era que só depois de a requalificação estar completa é que se iria estudar a implementação de portagens, o que não foi feito. Por isso não se sabe.

– Mas crê que haverá um impacto negativo?

– Vai trazer complicações funcionais, prejuízos económicos para a região, e a economia do turismo algarvio vai ser afectada. Se as pessoas saírem da A22 por causa do preço, a Estrada Nacional 125 vai entupir.

FINAIS DE 2010 COMO LIMITE

O projecto de requalificação da EN125 foi anunciado por José Sócrates em 2008, altura em que exercia funções de primeiro-ministro. Sócrates previu que as obras na estrada que liga o Barlavento e o Sotavento algarvio iriam terminar em finais de 2010, algo que não aconteceu. "Uma das principais motivações da obra é a de salvar vidas", reconheceu José Sócrates na cerimónia de lançamento.

"OBRA DEVIA TER SIDO FEITA HÁ 20 ANOS"

A obra da ligação de Faro à Via do Infante, concessão da Algarve Litoral, continua a ser uma miragem para a cidade. O autarca Macário Correia critica o atraso.

"A obra já devia ter sido feita há 20 anos", assumiu ao CM o presidente da Câmara de Faro, lembrando que a ligação deveria ter sido construída enquanto nascia a Via do Infante. Macário Correia lembrou ainda que as possíveis suspensões de vários troços, anunciadas pelo Governo, poderão inviabilizar ainda por mais tempo a sua construção. "Já pedi uma reunião com o secretário de Estado das Obras Públicas para resolver isto. Com a crise financeira, o avanço das obras não está tão assente como gostaríamos", afirmou.

Em perigo poderá ficar também a construção da Variante Norte de Faro, cuja segunda fase começou em 2010, que tem como objectivo desviar parte do trânsito rodoviário para fora da cidade. "O Governo tem de esclarecer tudo", avisou o autarca farense.

MENOS ACIDENTES MORTAIS NA EN125

Segundo um estudo da concessão Algarve Litoral, estima-se que haja uma redução de cerca de 35 por cento de acidentes mortais na EN125 quando a requalificação estiver terminada. 

POPULAÇÃO AUMENTA NO VERÃO

A requalificação da EN125 vai abranger uma população de cerca de 400 mil habitantes. Isto nas épocas baixas do turismo, pois durante o Verão a população atinge 1,4 milhões. 

EN125 ESTRADA OBRA ALGARVE
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