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Correio da Manhã

Economia
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Privados queriam salvar o Banco Espírito Santo

Balckstone queria uma cobertura para um montante indeterminado de perdas. Banco de Portugal impôs os nomes de Vítor Bento e Moreira Rato.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 3 de Dezembro de 2018 às 01:30
Ricardo Salgado e Morais Pires nos tempos em que administravam o BES
Ricardo Salgado
Ricardo Salgado liderava o Grupo Espírito Santo antes da sua queda em 2014
Amílcar Morais Pires
Amílcar Morais Pires, ex-administrador
Ricardo Salgado e Morais Pires nos tempos em que administravam o BES
Ricardo Salgado
Ricardo Salgado liderava o Grupo Espírito Santo antes da sua queda em 2014
Amílcar Morais Pires
Amílcar Morais Pires, ex-administrador
Ricardo Salgado e Morais Pires nos tempos em que administravam o BES
Ricardo Salgado
Ricardo Salgado liderava o Grupo Espírito Santo antes da sua queda em 2014
Amílcar Morais Pires
Amílcar Morais Pires, ex-administrador

Havia dois investidores privados que, em julho de 2014, estavam dispostos a salvar o Banco Espírito Santo (BES). O episódio é contado no livro de João Gabriel ‘A Mentira - A história não contada dos bastidores da resolução que acabou com o BES’, que chega amanhã às livrarias. Segundo o antigo jornalista, a Blackstone e a KKR estariam interessadas em viabilizar o BES, reforçando-o com os níveis de liquidez necessários para ultrapassar a situação de crise.

No capítulo VIII do livro, João Gabriel descreve uma reunião do conselho de administração do BES para discutir uma injeção de capital da Blackstone de pelo menos dois mil milhões de euros. Essa operação foi, no entanto, travada pelos franceses do Crédit Agricole (aliados históricos da família Espírito Santo desde o 25 de Abril de 1974) que exigem que a intervenção seja aprovada pelo Banco de Portugal.

A proposta é enviada ao regulador mas, segundo apurou o CM junto do Banco de Portugal, a Blackstone exigia "a existência de uma cobertura para um montante de perdas indeterminado", o que o regulador não podia aceitar. Mais, nessa altura o Banco de Portugal já tinha exigido a Ricardo Salgado que a comissão executiva fosse alterada, entrando Vítor Bento como CEO e Moreira Rato como administrador financeiro.

Outra das interessadas era a empresa americana KKR, que reuniu com Amílcar Morais Pires (já demissionário do BES) para saber da situação do banco. Os responsáveis da KKR queriam contactar o regulador para saber as intenções do Banco de Portugal. Mas no dia 13 de julho de 2014 acontece a reunião do conselho de administração do BES em que se decide a cooptação de Vítor Bento e Moreira Rato. Segundo apurou o CM junto do Banco de Portugal, o regulador "nunca chegou a ser contactado pela KKR e nenhuma proposta chegou ao conhecimento do banco".

PORMENORES
Buraco de 3 mil milhões
A mudança de administração do BES permitiu descobrir um buraco nas contas do banco de três mil milhões de euros.

Telefonema a Carlos Costa
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Resolução a 3 de agosto
O Banco de Portugal decreta a resolução do BES no dia 3 de agosto de 2014. Nasce o Novo Banco que recebe uma injeção de capital público de 4,9 mil milhões de euros.

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