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Correio da Manhã

Economia
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Produção de cereais será a mais baixa desde 2005

A produção de cereais no ano agrícola de 2012, "fortemente marcado pela seca", será "a mais baixa desde 2005", mas as culturas de primavera/verão deverão manter os níveis de produtividade, antecipou esta segunda-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
20 de Agosto de 2012 às 13:04
A produção de cereais no ano agrícola de 2012, "fortemente marcado pela seca", será a mais baixa desde 2005
A produção de cereais no ano agrícola de 2012, 'fortemente marcado pela seca', será a mais baixa desde 2005 FOTO: CM

Segundo as previsões agrícolas a 31 de Julho, "a campanha dos cereais de outono/inverno saldou-se por quebras expressivas, fundamentalmente devido à seca, situação que também afectou a batata, especialmente a de sequeiro".

Com a colheita "praticamente concluída", as produções de cereais praganosos caem em 2012 pelo quarto ano consecutivo, com recuos face a 2011 de 30 por cento no triticale, 25 por cento na aveia, 20 por cento no trigo mole, trigo duro e centeio e 15 por cento na cevada.

As previsões apontam ainda para "quebras significativas" na produtividade dos pomares de pera, maçã e pêssego, "resultado das condições climatéricas adversas na altura da floração/polinização (frio e geada) ", e para recuperações no tomate para indústria e na vinha.

Relativamente às culturas de primavera/verão, o instituto de estatística nota que, "de um modo geral, apresentam um desenvolvimento vegetativo normal para a época, pelo que não se prevêem quebras de produtividade".

O INE alerta, contudo, que, no final de Julho, 58 por cento do território nacional estava em situação de seca extrema e 26 por cento em seca severa, pelo que "o potencial produtivo das culturas de primavera/verão no actual ano agrícola é ainda incerto" e "o impacto da seca poderá estender-se à próxima campanha, particularmente se não ocorrer precipitação até ao início do outono".

Relativamente à superfície de milho para grão de regadio, o INE antecipa que deverá manter-se nos 90 mil hectares, enquanto o milho para grão de sequeiro apresenta "um desenvolvimento vegetativo regular" e deverá repetir o rendimento de 2011.

Também a produtividade do arroz deverá manter-se semelhante à do ano anterior, cerca de 5.855 kg/hectare, mas o rendimento unitário da batata de regadio decrescerá cinco por cento.

Já o tomate para a indústria apresenta "perspectivas animadoras" após o "mau ano de 2011", com uma produtividade "acima das 82 toneladas/hectare", um valor acima da média dos últimos cinco anos, e o girassol deverá manter-se estável.

Segundo o INE, 2012 será "mau" para os pomares, com Trás-os-Montes a ser a região mais afectada na maçã e a registar quebras de produtividade superiores a 30 por cento face a 2011, traduzido num decréscimo do rendimento unitário a nível nacional de 15 por cento.

No caso da pera, as reduções são "generalizadas a todas as regiões", com decréscimos previstos da produtividade de 30 por cento face a 2011 e de 11 por cento relativamente à média dos últimos cinco anos.
Também menos produtivos estão este ano os pomares de pessegueiros, cujo rendimento unitário deverá cair 10 por cento.

Em sentido inverso, a produtividade das vinhas irá aumentar cerca de cinco por cento, com todas as regiões a apontar "para um ano de boa qualidade", e a uva de mesa subirá a produção em 10 por cento.

Relativamente à amêndoa "ainda subsistem incertezas quanto ao potencial produtivo para esta campanha", mas tudo aponta para um decréscimo de cinco por cento face a 2011, enquanto a produção de batata de sequeiro recuará 15 por cento e a de cereja 25 por cento.

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