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Correio da Manhã

Economia
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PROPOSTA DOS PATRÕES TIRA 1,6 POR CENTO AOS AUMENTOS

Os empresários portugueses querem que os aumentos salariais passem a ser indexados à inflação média da Zona Euro. Se tivermos em conta que o índice de preços no consumidor da Eurolândia está em 2,1 por cento (em termos homólogos) e o indice português regista uma variação homóloga de 3,7 por cento, os trabalhadores ficam a perder 1,6 pontos percentuais, o que quer dizer que a perda real de rendimentos será da ordem de 1,6 euros por cada cem de salário.
23 de Setembro de 2002 às 23:25
Refira-se que o Governo, nas Grandes Opções do Plano (GOP), tinha manifestado a vontade de indexar os aumentos salariais à inflação média da Zona Euro. Já em Janeiro deste ano o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, tinha defendido a mesma posição.

Agora são os presidentes das confederações patronais, nomeadamente da Indústria Portuguesa (CIP), do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e do Turismo Português (CTP) que, citados pelo ‘Público’, vêm defender que os salários devem ser indexados ao índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) da Zona Euro.

Só que, como é do conhecimento público, o salário mínimo nacional já é o mais baixo da UE - até o grego é mais elevado - e a inflação média portuguesa situou-se, em 31 de Agosto, em 3,6 por cento, muito acima dos 2,1 por cento do conjunto do Doze.

Na CIP, o seu presidente, Francisco van Zeller, considera que, uma vez que entrámos para a União Europeia, “temos de aceitar algumas imposições, mesmo que estas acarretem sacrifícios”. Entre os empresários ligados ao turismo, Atílio Forte, presidente da CTP, refere que “tem de se quebrar o ciclo vicioso de aumentar os salários acima do crescimento anual da produtividade”.

Quanto ao porta-voz da CCP, Luís Faria, vai mais longe e considera mesmo que “para a função pública, não vemos outra solução que não seja o aumento zero, em 2003. O sector público tem remunerações efectivas superiores. Temos de as aproximar”.

Da parte dos sindicatos, o ponto de partida para as negociações dos aumentos salariais está nos 5,5 por cento, uma vez que consideram que os trabalhadores têm perdido poder de compra todos os anos, como foi o caso do ano passado em que a inflação média nacional ficou nos 4,4 por cento e os aumentos foram de 3,7 por cento.

Os números

Inflação portuguesa

A inflação que tem contado para as negociações salariais é a divulgada pelo INE. Em Agosto, este índice estava nos 3,7 por cento, em valores homólogos. Mas para comparar os países da zona euro o Eurostat criou o índice harmonizado e aí a a inflação homóloga é superior (3,9 %).

Rejeição de Espanha

No país vizinho, os sindicatos nem querem ouvir falar da hipótese de indexar os aumentos salariais à inflação. O governo já anunciou que as previsões da inflação apontam para dois por cento e os sindicatos não aceitam que os trabalhadores voltem a perder rendimento.
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