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Correio da Manhã

Economia

PSD e CDS querem "mais atenção" do Governo aos produtores de leite

Passos Coelho e Assunção Cristas visitam a Feira Agrícola do Norte.
2 de Setembro de 2016 às 17:15
Assunção Cristas (à esq.), cumprimenta o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, durante uma visita à AgroSemana, na Póvoa de Varzim
Assunção Cristas (à esq.), cumprimenta o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, durante uma visita à AgroSemana, na Póvoa de Varzim FOTO: José Coelho/Lusa
O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, e a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, defenderam hoje "mais atenção" do Governo aos produtores de leite que, na quinta-feira, reivindicaram preços mais justos à produção.

Durante a Feira Agrícola do Norte - AgroSemana, que decorre até domingo, na Póvoa de Varzim, o ex-primeiro-ministro considerou que as críticas dos produtores são legítimas porque o regime de quotas para o leite, que vigorou durante muitos naos, trouxe uma desorganização ao mercado com preços muito baixos e que, dificilmente, podem ser compatíveis com a manutenção dos investimentos e das explorações.

Já a líder centrista, no mesmo certame, mas num lado oposto, afirmou que o setor da agricultura precisa de ser "apoiado e acarinhado", tal como acontece em todos os países desenvolvidos e Portugal não pode ser exceção.

Na quinta-feira, dia de abertura da mostra, cerca de 50 produtores de leite da região Norte do país concentraram-se junto às instalações da cooperativa leiteira Agros para reivindicar "mais justiça nos preços pagos à produção".

Os empresários consideraram que o "setor está asfixiado" e defendem que o Governo deveria tomar mais medidas para mitigar as dificuldades que o atingem.

Enquanto admirava e gabava os animais, Passos Coelho salientou ser indispensável, do ponto de vista estrutural, que ao nível europeu haja uma regulação de mercado que permita que, em determinadas circunstâncias, haja mecanismos de intervenção para evitar um "efeito tão devastador" para os produtores.

E precisou: "Mecanismos de regulação em que as autoridades intervêm quando os preços descem abaixo de um determinado limiar, tendo esse limiar de estar relacionado com custos médios de produção que tornam viáveis as explorações".

Já Assunção Cristas, que iniciou a visita quando Passos Coelho estava a terminar, mas cruzando-se, mesmo assim, revelou que sente uma degradação do ambiente no setor agrícola e, à medida que os meses passam, uma grande consternação por falta de apoio político.

"Vemos os pagamentos que eram feitos no final do mês a deixarem de ser feitos, vemos os pagamentos dos subsídios de Bruxelas, que muitas vezes eram feitos com antecedência, a ser feitos com atraso, vemos o Governo a interromper a incineração de cadáveres, ou seja, tudo isto são custos para os produtores", ressalvou.

A presidente do CDS-PP disse custar-lhe ver um trabalho "tão grande" feito pelo anterior Governo a ser rapidamente destruído e com penalização para os que trabalham no setor e para a economia do país.

A visita dos dois líderes políticos foi feita em separado, mas não evitaram o encontro e, entre palavras de cortesia, Passos Coelho assinalou que as férias fizeram bem a Assunção Cristas. E enquanto Passos Coelho provou um espumante, a centrista optou por um arroz doce.
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