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Correio da Manhã

Economia
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PSD saúda redução do défice

Partido duvida que cenário se concretize.
28 de Outubro de 2016 às 21:14
O líder do PSD, Pedro Passos Coelho
O líder do PSD, Pedro Passos Coelho FOTO: António Cotrim/Lusa
O líder do PSD saudou esta sexta-feira o comprometimento do Governo com a redução do défice, mas advertiu que para o seu partido não é claro que o cenário traçado vá ter correspondência com a realidade.

"De um modo geral parece-nos bem que haja um comprometimento, que haja redução do défice público, isso significa menores responsabilidades para futuro e, portanto, é bom", afirmou o presidente social-democrata, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com a UGT, que se realizou na sede na central sindical e se prolongou por quase duas horas.

Contudo, acrescentou, para o PSD não é claro "que o cenário traçado pelo próprio Governo possa vir a revelar grande aderência com a realidade", embora só o tempo permitirá esclarecer isso "um bocadinho melhor".

Passos Coelho criticou ainda a ausência de uma estratégia económica clara na proposta do Governo de OE para 2017, notando que é apresentada uma visão de crescimento menor do que a que existiu em 2015.

"Gostávamos que o investimento pudesse crescer de uma forma mais acentuada, gostaríamos que a confiança sobre a economia portuguesa fosse maior e isso teria de implicar um conjunto de medidas de aspetos estruturantes do próprio OE que alimentassem essa crença de que a economia está capaz de crescer muito mais e poder gerar muito mais emprego", disse, lamentando que o OE para 2017 não apresente essa estratégia.

Sobre a restituição de rendimentos, o líder do PSD admitiu estar preocupado com o facto de, "contas bem feitas", afinal possa ficar "longe daquilo que é a expetativa das pessoas".

"O Governo, de certa maneira, com a restituição de rendimentos, com a atualização de pensões quer dar a ideia de que as pessoas vão ficar melhor com esses rendimentos", referiu.

Contudo, acrescentou, quando o cenário que se antecipa para o próximo ano é de mais inflação, isso irá "comer um bocadinho aquilo que são os aumentos e as atualizações que se fazem, sobretudo quando essas atualizações são feitas abaixo da inflação".

"Portanto, feitas as contas pode-se estar numa primeira fase a dar mais, mas depois as pessoas vão pagar mais impostos indiretos, depois a inflação vai comer uma parte desses rendimentos", sustentou.

Sobre o encontro com dirigentes da UGT, Passos Coelho, que no início da semana anunciou que iria reunir-se com os parceiros sociais antes de apresentar propostas de alteração ao Orçamento do Estado (OE) para 2017, disse ter-se tratado de uma troca de impressões "bastante positiva".

Também em declarações aos jornalistas no final do encontro com o líder do PSD, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, apontou os principais objetivos da central sindical, nomeadamente "o desbravamento da carga fiscal" sobre os salários e o aumento de todas as pensões.

Reconhecendo que o PSD tem uma posição "muito prudente" e que o partido defende a manutenção de um conjunto de situações, Carlos Silva insistiu na necessidade de "desagravar a austeridade".

"Nós representamos trabalhadores, não podemos ter uma visão político partidária quando dessa visão resulta que não deve haver grandes aumentos salariais", disse, sublinhando, contudo, que o papel da UGT é reivindicar, mas "não à doida" e "sem nexo".

"Reivindicamos com conta peso e medida", assegurou.
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