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Correio da Manhã

Economia
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QUEMA TÊXTIL DESPEDE TRABALHADORAS NAS FÉRIAS

A fábrica de confecções Quema Têxtil, na zona industrial de Aveiro, foi ontem palco de um protesto realizado pelas cerca de 50 funcionárias da empresa. Tudo porque, a 27 de Agosto último, receberam uma carta a comunicar que a empresa iria encerrar as instalações a partir do dia 2 de Setembro, data em que deviam regressar ao trabalho, já que a fábrica estava fechada para férias desde o dia 5 de Agosto.
2 de Setembro de 2002 às 20:30
De acordo com Leonilde Capela, coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil de Aveiro, a administração da empresa invoca a falta de encomendas para justificar a actuação, mas "não podem simplesmente despedir estas pessoas, sem lhes dar qualquer explicação ou garantia. Existem funcionárias na fábrica há mais de 20 anos e agora nem sequer têm direito ao (subsídio de) desemprego. As trabalhadoras apenas exigem aquilo a que têm direito".

A directora técnica da Quema Têxtil, Anabela Oliveira, afirma que "a empresa, neste momento, tem apenas um cliente, o que faz com que o número de encomendas seja bastante reduzido. Não é possível assegurar os postos de trabalho se não houver clientes, nenhuma empresa sobrevive nestas condições".

'O sector têxtil está em crise

Uma fiação de Águeda foi ontem declarada falida, uma decisão que afecta 50 trabalhadores e que foi conhecida escassas horas depois de conhecido o caso da Quema.

A falência da fiação Vidal, de Arrancada do Vouga, Águeda, foi confirmada por comunicação judicial recebida no Sindicato Têxtil de Aveiro (STA), disse Leonilde Capela, dirigente daquela estrutura de trabalhadores. Na opinião da sindicalista Leonilde Capela, o problema deve-se, essencialmente, ao aparecimento das multinacionais. "As grandes empresas têm possibilidade de fazer grandes investimentos, acabam por 'abafar' as mais pequenas, obrigando-as a abrir falência e deixando na rua vários funcionários”.
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