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Correio da Manhã

Economia
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Recapitalização da Caixa só com condições de Bruxelas

O líder do banco britânico elogiou o futuro presidente da CGD António Domingues.
23 de Maio de 2016 às 09:23
O presidente executivo do banco britânico Lloyds Bank, António Horta Osório
O presidente executivo do banco britânico Lloyds Bank, António Horta Osório FOTO: Reuters
O presidente executivo do banco britânico Lloyds Bank, António Horta Osório, considera que a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) "terá de ser feita com condições de Bruxelas".

Em declarações publicadas esta segunda-feira no Jornal de Negócios, António Horta Osório afirma que, que "sendo certo que é necessário recapitalizar a Caixa, terá de ser feito negociando com Bruxelas a imposição de condições que satisfaçam ambas as partes".

O líder do banco britânico elogiou também em declarações ao jornal o futuro presidente da CGD, António Domingues, "pela sua reputação e experiência", e apontou "erros do passado" na gestão do banco público português.

"A Caixa Geral de Depósitos tem vários desafios pela frente, em parte devido a erros do passado. É fundamental assegurar que esses erros não se voltem a repetir, para que não seja necessário utilizar dinheiro público, ou seja, dos contribuintes, para os resolver e também para assegurar que a Caixa cumpra a sua missão de banco público, que é a de ajudar a economia e financiar as PME [Pequenas e Médias Empresas], essenciais para o crescimento do país", sublinhou.

Sobre o futuro presidente da CGD, Horta Osório diz acreditar que António Domingues "tem todas as condições para cumprir com a sua missão, dada a sua reputação e experiência".

O presidente executivo do banco britânico afirmou também ser "essencial que os contribuintes, nomeadamente os contribuintes portugueses, não voltem a ser chamados para salvar bancos, sejam eles públicos ou privados".

António Horta Osório falou também ao Jornal de Negócios sobre as soluções pontuais antes da implementação completa da União Bancária, salientando que esta assenta em três pilares: "o mecanismo único de supervisão, o mecanismo único de resolução e o de garantia de depósitos".

"Os dois primeiros já são uma realidade, mas o terceiro, que virá assegurar maior homogeneização entre os bancos, não foi implementado e deve ser. É extremamente importante na medida em que permitirá dissociar o 'risco do país' dos 'riscos dos bancos'. Estamos, no entanto, ainda longe disso, sobretudo devido à oposição da Alemanha em o fazer no curto prazo", salientou.

O líder do banco britânico considerou também que, enquanto "a União Bancária Europeia não for completada, é natural que sejam adotadas soluções pontuais para os problemas concretos que alguns países/bancos enfrentam atualmente".

Questionado sobre o ambiente económico mundial até ao final do ano, Horta Osório disse que a "economia continua a evoluir, em termos globais, razoavelmente bem".

"A Europa está a recuperar, a China abrandou o crescimento, mas continua com uma evolução positiva e os EUA estão a crescer razoavelmente. Se excluirmos algumas incertezas, entre as quais o resultado do referendo no Reino Unido, o panorama de crescimento da economia mundial é razoavelmente positivo. Mas, claro que as incertezas são significativas, podem afetar este cenário", concluiu.
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