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Correio da Manhã

Economia
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RECESSÃO AGRAVA-SE

Depois da recessão “técnica”, o Banco de Portugal veio ontem confirmar os piores receios do Governo: a recessão da economia portuguesa está a agravar-se e não existem perspectivas de inversão nos principais indicadores económicos.
21 de Março de 2003 às 00:00
A síntese de conjuntura do Banco de Portugal referente ao mês de Fevereiro mostra o agravamento das condições económicas, já reveladas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nas contas anuais preliminares de 2002.

O consumo privado e o investimento, dois dos factores que mais influenciaram negativamente e a evolução do Produto Interno Bruto (PIB)em 2002, continuam em queda acentuada.

O Banco de Portugal afirma que no trimestre terminado em Fevereiro, o indicador de sentimento económico para Portugal, da Comissão Europeia, registou uma redução face ao terceiro e ao quarto trimestres de 2002, reflectindo uma evolução negativa de todas as componentes.

Acrescenta que a informação disponível continua a apontar para um abrandamento do consumo privado, com a confiança dos consumidores a reduzir-se e o volume de negócios do comércio a retalho a cair 0,1 por cento no trimestre terminado em Janeiro.

A formação bruta de capital fixo (FBCF, investimento) voltou a registar uma queda acentuada no trimestre terminado em Fevereiro, com queda de 36,5 por cento nas vendas de comerciais ligeiros novos e redução de 37,9 por cento nos pesados.

O banco central acrescenta que a informação disponível também sugere uma redução da FBCF em construção no trimestre terminado em Fevereiro. As vendas de cimento caíram 22,2 por cento em Janeiro.

Os aumentos salariais implícitos na contratação colectiva foram de 2,9 por cento nos dois primeiros meses de 2003, em abrandamento face aos 3,8 por cento verificados no primeiro bimestre do ano passado.

SINAIS DE PERIGO

DESEMPREGO

Existem cada vez mais desempregados (um aumento de 15,9 por cento no trimestre terminado em Janeiro) e cada vez menos ofertas de emprego (uma redução de 10,8 por cento no mesmo período). Os aumentos salariais no sector privado ficaram nos 2,9 por cento

RECEITAS

As receitas do Estado não param de descer. Em Fevereiro, a receita corrente caiu 2,4 por cento. O IVA (o imposto que mede o consumo por excelência) registou uma descida de 4,4 por cento, enquanto o Imposto Automóvel registou um queda de 20,4 por cento.

DESPESAS

A despesa corrente primária apresentou um crescimento de 4,1 por cento no período Janeiro-Fevereiro de 2003 face ao período homólogo do ano anterior. Esta evolução é explicada, em larga medida, pelo aumento das despesas com pessoal que subiram 5,9 por cento.
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