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Correio da Manhã

Economia

RECUPERAÇÕES DO NASDAQ

A tendência descendente do índice Nasdaq, desde Março de 2002, foi quebrada em Julho último e este mês, em que foram feitos máximos de 1350 e 1384 pontos respectivamente.
20 de Agosto de 2002 às 21:38
Pedro Baldaia, gestor de activos financeiros da corretora Dif Broker, chama a atenção para os dois picos do citado índice norte-americano nos últimos cinco meses. No entanto, “este fenómeno de inversão é pontual ou definitivo?”

Segundo o especialista da corretora sediada no Porto, “o sector tecnológico é o mais penalizado”, visto que, em 2000, havia a “perspectiva de que tudo era bom; hoje, a perspectiva é de que tudo (do tecnológico) é mau.”

No entender de Pedro Baldaia, o sentimento actual em relação aos papéis tecnológicos justifica-se menos que o de há quase dois anos e meio. No sector analisado como um todo, “as cotações estavam muito elevadas para os níveis de vendas e de resultados das empresas.” Fosse a empresa que fosse, desde que tivesse “.com” no fim do nome, estreava-se na bolsa com êxito, porque os investidores não faltavam, ansiosos por lucros chorudos. Mas há que distinguir o trigo do joio.

Conforme lembra o gestor de activos financeiros da Dif Broker, “no índice Nasdaq 100, estão três ou quatro empresas puras de “internet”. Uma delas, a Ebay.com, de leilões. Em 1999, os lucros desta empresa foram de nove milhões de dólares; em 2000, de 48 milhões de dólares; em 2001, de 90 milhões de dólares.” Quer dizer que, desde que foi criada, em plena euforia tecnológica, a Ebay.com tem tido resultados líquidos fabulosos, ao contrário de outras, que tiveram de fechar as portas.

Outras empresas tecnológicas eleitas por Pedro Baldaia são: a AMD, fabricante de processadores; a Oracle, que vende bases de dados e respectivos aplicativos; e a Checkpoint Software. Portanto, o sector tecnológico não deve ser visto como um todo.

Tal regra já não vale para os sectores da banca, transportes, defesa, petróleo e da indústria farmacêutica. Na defesa, área em que o governo dos Estados Unidos da América disse que investiria mais, o perito recomenda a General Dynamics.

No sector do petróleo, a Chevron Texaco e a Exxon Mobil podem ser as empresas com lucros mais elevados, porque o preço do barril da referida fonte energética tem subido, tocando quase os 30 dólares. Interrogado sobre se este valor não impede a recuperação económica, com maus reflexos na inflação, Pedro Baldaia diz que a maior preocupação é com a retoma, não com a subida dos preços, e que o barril a 30 dólares não lhe parece pôr em causa a reviravolta das economias; acima dessa cotação é que pode ser prejudicial.

Impactos bolsistas

As bolsas têm sido definidas como os barómetros das economias. Isto é: os mercados de capitais reflectem os andamentos económicos, e as valorizações das empresas cotadas acontecem por antecipação a bons resultados. Deste modo, são vistos como agentes passivos.

A verdade é que, como realça Pedro Baldaia, “os mercados accionistas têm dois impactos nas economias: primeiro, as empresas têm dificuldade de se financiarem, porque não conseguem vender acções a preços bons neste momento; segundo, as pessoas que perdem na bolsa ficam com menos dinheiro para consumir, o que se reflecte nos resultados das empresas.”

Inflação aumenta

A taxa de inflação, nos países do euro, subiu 0,2 por cento de Junho para Julho deste ano.

Nos últimos 12 meses, o índice harmonizado de preços no consumidor passou para 1,9 por cento nos países onde vigora a moeda única europeia. Tal percentagem está abaixo do limite máximo fixado pelo Banco Central Europeu.

Assim, a instituição presidida por Wim Duisenberg tem margem de manobra para alterar a taxa de juro directora, a qual está nos 3,25 por cento desde 8 de Novembro do ano passado. Mas os analistas dividem-se: uns prevêem a subida das taxas de juro na Eurolândia; outros, a descida.
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