João Rendeiro tentou controlar o BCP, durante a ‘guerra de poder’ no mandato de Paulo Teixeira Pinto, através do Grupo Privado Holding, proprietário do BPP. Com essa estratégia, segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP) a três ex-administradores daquele grupo, expôs-se "o Banco [BPP], o Grupo Privado Holding e o veículo Privado Financeiras [usado para comprar ações do BCP], para além dos limites de uma gestão prudente, ao risco da oscilação da cotação do título do BCP". A Privado Financeiras investiu mais de 30,4 milhões de euros na compra de ações do BCP.
O despacho do MP deixa claro que os arguidos [João Rendeiro, Paul Guichard e Salvador Fezas Vital] sempre manifestaram interesse pelo BCP e, concretamente, em intervir nessa ‘guerra de poder’." Essa ‘guerra de poder’ no BCP desencadeia-se a partir de maio de 2007, quando Paulo Teixeira Pinto assumiu a liderança do banco em substituição de Jardim Gonçalves, e separou os apoiantes de Teixeira Pinto dos de Jardim Gonçalves.
"A intervenção dos arguidos na referida ‘guerra’ foi formalmente exercida através dos direitos de voto em Assembleia-geral concedidos pelas ações desse Banco [BCP] detidas, direta ou indiretamente, pelo Grupo Privado Holding e concentradas nos arguidos por via dos cargos exercidos nas sociedades do Grupo", frisa o MP. Tiago Ferreira, então diretor Financeiro do BPP, disse ao Ministério Público que "João Rendeiro teria objetivos pessoais nesse banco [BCP]".
Segundo o Ministério Público, o objetivo inicial dos arguidos era investir o total do capital da Privado Financeiras, de quase 291 milhões de euros, em ações do BCP. Em junho de 2007, o BPP, por ordem de João Rendeiro, pediu ao Banco de Portugal para comprar 5% do capital do BCP. Nessa altura, a Privado Financeiras detinha 2,404% do capital do BCP.
PERDA DE LUCRO POTENCIAL DE 63,4 MILHÕES DE EUROS
Se a Privado Financeiras tivesse vendido a carteira de ações BCP, em junho de 2007, teria um lucro de 60%, cerca de 64 milhões de euros. Segundo o despacho do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DCIAP), Tiago Ferreira, à data diretor Financeiro do BPP, referiu que "essa teria sido a decisão certa para os interesses dos clientes". O mesmo responsável disse que "nessa época decorria a denominada guerra do BCP e que Rendeiro teria objetivos pessoais nesse banco".
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