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Correio da Manhã

Economia
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Rio Tejo vence Legionella

A Legionella, bactéria que está na origem da denominada Doença do Legionário e que se manifesta sob a forma de pneumonia atípica, não tem lugar no Parque das Nações. Isto porque a área não dispõe de sistemas comuns de ar condicionado ou de abastecimento de água de consumo.
24 de Julho de 2005 às 00:00
A rede urbana de frio e calor potencia a diminuição das emissões do dióxido de carbono em cerca de 60 por cento
A rede urbana de frio e calor potencia a diminuição das emissões do dióxido de carbono em cerca de 60 por cento FOTO: d.r.
Ao invés, a zona oriental de Lisboa onde foi realizada a Expo’98 dispõe de uma rede urbana de produção e distribuição de energia térmica absolutamente inovadora.
Este sistema de climatização utiliza água do rio Tejo para arrefecer os equipamentos da central, dispensando assim a utilização de estruturas, como as torres de arrefecimento utilizadas em grandes superfícies, que geram plumas de vapor e que são, por isso, focos de colonização da bactéria Legionella.
Esta forma de produção e distribuição de energia térmica faz com que o pH e a temperatura da água quente e fria no interior dos edifícios se situe numa faixa que não propicia o desenvolvimento da bactéria.
O sistema de produção e distribuição de energia térmica “é um conceito que advém da procura pela eficiência energética”, explica Hervé Thomas, presidente do conselho de administração da ClimaEspaço. Este sistema foi concebido inicialmente para o Parque das Nações, na altura da construção do Parque Expo, para fornecer aos edifícios ligados à rede água gelada utilizada nos sistemas de ar condicionado e água quente para aquecimento de ambiente e de águas sanitárias.
O processo desenvolvido pela ClimaEspaço não utiliza substâncias nocivas para a camada do ozono, proporciona a redução de emissões poluentes e a redução do consumo de energia primária. Neste aspecto, a empresa prevê que, quando a produção da central de trigeração atingir a sua capacidade máxima, o que deverá acontecer em 2010, a rede urbana de frio e calor será responsável por uma redução no consumo de energia primária na ordem dos 15 mil tep (tonelada equivalente de petróleo) por ano.
Na política de protecção do ambiente, a rede urbana de frio e calor estima que a redução das emissões de dióxido de carbono atinjam cerca de 60 por cento e a de óxidos de azoto ascendam aos 85 por cento. Quanto às emissões de óxidos de enxofre, estas serão praticamente eliminadas. Este sistema de climatização pretende ainda salvaguardar a arquitectura urbana, ao suprimir as convencionais unidades de ar condicionado e libertando áreas de construção, como as varandas ou terraços.
A rede urbana de frio e calor, com um investimento global acumulado desde 1996 de 51 milhões de euros, proporciona ainda ao consumidor menores custos de utilizaçãorelativamente a outros sistemas de climatização, uma vez que “não há custos de manutenção para o cliente”, refere Hervé Thomas. “O cliente que faz o seu próprio investimento nem sempre está consciente dos custos a longo prazo”, acrescenta.
Para assegurar a produção constante de frio e calor, a ClimaEspaço detém sistemas de redundância de produção de água gelada e quente, para que a probabilidade de falha generalizada seja altamente reduzida. Destas estruturas destaca-se um depósito de acumulação de água gelada com capacidade de 15 mil m3, que assegurará o abastecimento em casos de emergência ou de períodos de grande consumo.
Mesmo quando há a necessidade de ligar a rede urbana de frio e calor a novos edifícios, as interrupções de funcionamento são programadas para horários em que o consumo é menor.
COMO FUNCIONA A REDE URBANA DE FRIO E CALOR
O sistema de produção e distribuição de energia térmica é composto por uma central de trigeração onde se produz simultaneamente frio, quente e electricidade, através da utilização de gás natural. A água gelada surge da combinação de turbinas de gás e arrefecedores.
“Para optimizar a produção e os custos num plano de custo-eficiência é preferível produzir água gelada durante a noite e depois restitui-la nas horas de maior procura”, explica Hervé Thomas.
A rede primária, cerca de 50 km de tubagem de distribuição, integra um circuito fechado que transporta o frio e o calor da central para os edifícios consumidores, onde existe uma área técnica que transfere a energia térmica da rede primária para o interior do edifício.
CONSUMIDORES
QUEM UTILIZA
A rede urbana de frio e calor serve mais de metade das habitações e todos os edifícios comerciais do Parque Expo, dos quais se destacam o Hospital Cuf Descobertas, seis hotéis e vinte edifícios de escritórios.
QUEM VAI UTILIZAR
A ClimaEspaço pretende equipar todos os futuros edifícios do Parque Expo com a rede urbana de frio e calor. Para isso, finalizou negociações com o futuro Casino da área para implementação deste sistema.
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