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Correio da Manhã

Economia

Salvar o euro vai custar um bilião

A União Europeia (UE) vai reservar um bilião de euros (valor que representa seis vezes a riqueza produzida em Portugal durante um ano) para salvar a moeda única. O reforço do fundo de resgate europeu deverá ser aprovado na cimeira europeia de amanhã, em Bruxelas, num momento em que se intensificam os rumores sobre uma ajuda financeira a Itália.
25 de Outubro de 2011 às 01:00
Angela Merkel revelou aos deputados alemães parte do plano estratégico para salvar o euro, que deverá ser aprovado na próxima cimeira europeia
Angela Merkel revelou aos deputados alemães parte do plano estratégico para salvar o euro, que deverá ser aprovado na próxima cimeira europeia FOTO: Fabrizio Bensgh/Reuters

Em vésperas do conselho europeu, a chanceler Angela Merkel revelou aos líderes parlamentares alemães que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) deverá ser reforçado para um valor superior ao bilião de euros. E admitiu que o perdão da dívida grega pelos privados deverá atingir os 60%. O mesmo foi reconhecido pelo presidente do Eurogrupo, Jean--Claude Juncker: "Em Julho dissemos que teria de ser 21%. Esse valor é agora claramente insuficiente, tem de ser consideravelmente mais elevado. Cerca de 50%, 60%, é do que estamos agora a falar", sublinhou.

Em Portugal, o perdão da dívida grega poderá custar aos bancos nacionais cerca de 960 milhões de euros, um número que terá um forte impacto nos resultados anuais das instituições e na deterioração do seus capitais próprios. No total, os principais bancos portugueses têm em carteira quase 1,6 mil milhões de euros em obrigações e bilhetes do Tesouro gregos. Se vier a ser aprovado um perdão equivalente a 60% da dívida soberana de Atenas, o BCP e o BPI serão os bancos mais penalizados. O cenário pode tornar-se ainda mais devastador se for decidido um perdão idêntico em relação à dívida pública portuguesa.

Ontem, o primeiro-ministro Passos Coelho afirmou que a UE "deve reencontrar o rumo perdido." "Quarta-feira conseguiremos um plano credível", assegurou. Já o presidente cessante do BCE, Jean-Claude Trichet, defendeu uma intervenção directa da UE nos países que violem o pacto de estabilidade, que devia passar pela "substituição de governos".

BRUXELAS ORDENA INVESTIGAÇÃO ÀS AJUDAS AO BPN

Bruxelas ordenou uma investigação às ajudas dadas pelo Estado ao Banco Português de Negócios (BPN), durante o processo de reestruturação.

O objectivo da Comissão Europeia é descobrir se Portugal violou regras europeias e perceber se o BPN "será uma entidade viável após a integração no comprador, se o auxílio concedido foi o mínimo necessário, se foram adoptadas medidas para limitar a distorção da concorrência e se a venda não implica um auxílio para o comprador".

CIMEIRA ANGELA MERKEL EURO
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