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Correio da Manhã

Economia
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SANTANA INTERVÉM NA CGD

A escolha de Vítor Martins para a presidência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi uma decisão conjunta do primeiro-ministro e do ministro das Finanças. Um comunicado, emitido ontem pelo gabinete do chefe do Governo, deixa perceber que Santana Lopes e Bagão Félix terão acertado em conjunto o nome do novo homem-forte do maior banco português.
16 de Setembro de 2004 às 00:00
Com um conteúdo breve, o comunicado conjunto do gabinete do primeiro-ministro e do Ministério das Finanças frisa que Bagão Félix recebeu o ex-presidente, António de Sousa, e o ex-vice-presidente, Mira Amaral, da CGD, aceitou as suas renúncias aos cargos que ocupavam no banco e mostrou--lhes “o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido à frente da instituição financeira”. Informa ainda o comunicado que Vítor Martins aceitou o convite do Governo para a presidência da CGD.
Ontem, António de Sousa reconheceu que o actual modelo de gestão da instituição “não funcionou adequadamente”. O ex-presidente da CGD revelou em comunicado que “já em Outubro do ano passado” tinha transmitido a Manuela Ferreira Leite “indisponibilidade para continuar a desempenhar o cargo para além do mandato por razões pessoais, nomeadamente, e nessa altura, de saúde”.
O ex-presidente da CGD acabou por continuar no cargo depois da assembleia geral, realizada em Abril passado, porque surgiu “um novo projecto que culminaria na constituição de uma ‘holding’ para todo o grupo CGD e que, enquanto se procedesse aos necessários passos constitutivos, implicaria uma alteração intercalar no modelo de governação corrente” do banco.
A renúncia surgiu agora porque, diz António de Sousa, “este período de transição se alongou de mais, por diversas razões”. E reconhece que “o actual modelo, que tinha carácter provisório, não funcionou adequadamente”.
Os dois ex-responsáveis máximos da CGD terão prescindido das remunerações a que tinham direito para o total do mandato, que terminaria no início de 2008. António de Sousa teria a receber, segundo o ‘Diário Económico’, um valor mínimo de 1,64 milhões de euros e Mira Amaral, que irá para a reforma, 1,28 milhões de euros.
Quem poderá receber indemnizações da ordem de um milhão de euros serão os restantes administradores da equipa daqueles dois gestores, se não forem reconduzidos.
GIGANTE EM PORTUGAL
A CGD é o maior banco português. Com uma quota de mercado de 31,4 por cento nos depósitos a clientes em 2003, a CGD acolhia depósitos de clientes num valor superior a 42 mil milhões de euros. Neste indicador, o peso da CGD sobe para 36,5 por cento no segmento dos depósitos de particulares. No crédito concedido a clientes, a quota cifrou-se em 22 por cento, elevando-se os créditos a particulares aos 34,2 por cento (no conjunto do Grupo CGD). No final do ano passado, tinha 782 agências bancárias dispersas pelo País e 55 no estrangeiro, com um total de 11 054 empregados.
O activo líquido consolidado do grupo ascendeu, no final de 2003, a 74,2 mil milhões de euros, um crescimento de 7,6 mil milhões face a 2002. O resultado líquido consolidado, por seu lado, atingiu 667,3 milhões de euros, um aumento de 2,1 milhões de euros em relação ao ano anterior. E o montante dos capitais próprios e equiparados consolidados situou-se em 5,4 mil milhões de euros, um acréscimo de 172 milhões de euros. A CGD é um dos maiores bancos do mundo: em 2002, estava na 108.ª mundial segundo o critério do volume de activos.
PERFIL
O novo homem-forte da CGD é conhecido, sobretudo, como um especialista em Assuntos Europeus. Com 57 anos de idade, Vítor Martins foi secretário de Estado para os Assuntos Europeus entre 1985 e 1995. Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), é actualmente consultor de várias empresas, como a Schroder Salomon Smith Barney.
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