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Correio da Manhã

Economia

Santos Silva evita culpar Sócrates

Ex-administrador do Grupo Lena foi ouvido na sexta-feira mas não aceitou explicar transferências.
Diana Ramos 14 de Março de 2017 às 01:30
Carlos Santos Silva (à dir.) repatriou 23 milhões de euros no âmbito dos perdões fiscais RERT FOTO: Mariline Alves
Carlos Santos Silva, amigo de José Sócrates por quem passou grande parte dos 32,8 milhões de euros que terão tido como destinatário o ex-primeiro-ministro, foi confrontado com os novos dados do inquérito, que apontam para o recebimento de luvas no negócio da PT, mas recusou explicar as transferências financeiras e confirmar que Sócrates era o verdadeiro dono da fortuna.

Segundo apurou o CM, o Ministério Público terá confrontado Carlos Santos Silva com o depoimento de Hélder Bataglia e com elementos relativos a movimentações financeiras, no período entre 2006 e 2011, na expectativa de que o empresário ajudasse a esclarecer as verdadeiras motivações dos pagamentos. Contudo, Carlos Santos Silva ter-se-á escusado a detalhar os negócios por detrás das transferências financeiras para as suas contas pessoais.

Se colaborasse nesta fase do inquérito, antes de ser deduzida a acusação, Carlos Santos Silva poderia até beneficiar de uma atenuante na imputação dos crimes de que está indiciado. Será isso, aliás, que deverá suceder com Hélder Bataglia, que em parte da matéria investigada assumiu perante o Ministério Público ter permitido que as suas contas na Suíça fossem utilizadas para a realização de transferências entre o chamado saco azul do Grupo Espírito Santo (GES) e Carlos Santos Silva. Bataglia chegou mesmo a assumir que 12 milhões de euros foram movimentados a pedido de Ricardo Salgado, ex-presidente do BES.

Sem uma atenuante, Carlos Santos Silva arrisca-se, assim, a ser um dos arguidos com mais crimes imputados na acusação do Ministério Público, já que é o rosto principal das contas bancárias investigadas.
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