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Correio da Manhã

Economia
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Scut disparam dívida bancária

As rendas das sete Scut estão a tornar-se um fardo insustentável para a Estradas de Portugal (EP): já em 2008, ano a que diz respeito o último relatório e contas aprovado, e muito antes da actual crise financeira da empresa, a dívida bancária praticamente duplicou, ao passar de 459,8 milhões de euros para 909,7 milhões de euros.
11 de Julho de 2010 às 00:30
Almerindo Marques, presidente da EP, diz que défice de tesouraria de 95 milhões de euros “é normal”, dada “a dimensão e fase de desenvolvimento da EP”
Almerindo Marques, presidente da EP, diz que défice de tesouraria de 95 milhões de euros “é normal”, dada “a dimensão e fase de desenvolvimento da EP” FOTO: José Coelho/Lusa

Com um encargo anual de 644 milhões de euros em 2008, as Scut representavam já quase 71 por cento do endividamento total da EP. Ontem, Almerindo Marques, presidente da empresa, garantiu que o actual défice de tesouraria de 95 milhões de euros "é normal, atendendo à dimensão e à fase de desenvolvimento do projecto da EP".

A própria EP faz questão de frisar, no relatório e contas de 2008, que "durante o ano de 2008 o endividamento bancário aumentou 449,9 milhões de euros, sendo notório o seu agravamento resultante dos pagamentos das rendas das Scut". A empresa deixa ainda claro que os 20,9 milhões de euros em juros pagos a mais em 2008 reflectem "essencialmente o significativo aumento de 98 por cento da dívida e a evolução das taxas de juro, que se mantiveram a níveis mais altos do que nos anos anteriores". Daí que durante 2008 a empresa tenha pago uma taxa de juro média de 5,08 por cento pelo crédito bancário.

Desde então, e apesar de o relatório e contas de 2009 não estar ainda disponível, a situação financeira da EP agravou-se: a 28 de Junho, Almerindo Marques enviou uma carta aos ministérios das Obras Públicas e das Finanças assumindo que a EP enfrenta uma situação de ruptura de tesouraria no valor de 95 milhões de euros e que, até ao final de Setembro, serão necessários 2043 milhões de euros para fazer face aos compromissos.

Ontem, o presidente da EP garantiu que "o valor do défice não preocupa a Estradas de Portugal". Almerindo Marques precisou que "a empresa está numa fase de investimento grande e, como é normal em qualquer empresa pública ou privada, não tem condições de autofinanciamento, e, por conseguinte, vai recorrer ao crédito".

PORMENORES

CRÉDITOS EM CAUSA

A Banca está a recusar crédito à EP: segundo a carta enviada, aos ministérios das Obras Públicas e das Finanças, o Deutsche Bank não renovou a linha de crédito na totalidade. O BPI poderá fazer o mesmo.

CARTA NÃO É INOCENTE

Almerindo Marques diz que a divulgação daquela carta não é inocente, uma vez que o Governo está em negociações com o PSD para a introdução de portagens nas Scut.

PSD VAI CHAMAR ALMERINDO AO PARLAMENTO

O PSD vai amanhã requerer a presença do presidente das Estradas de Portugal no Parlamento. Com esta iniciativa, os sociais-democratas querem que Almerindo Marques vá explicar a situação de ruptura de tesouraria e as dificuldades de financiamento da empresa.

Para o líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, é necessário apurar "com exactidão tudo o que se passa nesta matéria", até porque "configura uma situação alarmante" por causa da ruptura de tesouraria e das dificuldades de financiamento.

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