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Correio da Manhã

Economia
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"Se alguma vez houver razões para uma greve geral é agora"

O ex-presidente do Governo espanhol, Felipe González defendeu esta terça-feira a realização da greve geral de quarta-feira em Espanha, perante o que disse ser o "desmantelamento do edifício de coesão e direitos sociais que demorou 30 anos a construir".
13 de Novembro de 2012 às 19:19
Antigo primeiro-ministro espanhol diz que há motivos para greve geral ibérica
Antigo primeiro-ministro espanhol diz que há motivos para greve geral ibérica FOTO: Reuters

"Se em algum momento houve razões para protestar e fazer uma greve geral é agora", disse González, aos jornalistas, à margem do XVIII Fórum Euro-latino-americano de Comunicação, que começou esta terça-feira em Cádis (Espanha).

González recordou que "a maior greve geral e a que teve mais êxito, da democracia" foi feita no período em que ele governava. Ainda que "não goste" das greves gerais e que "nem quem as convoca gosta delas", há motivos suficientes para paralisar o país".

Entre os motivos disse, "o desassossego social, a incerteza e a sensação de que regressamos a décadas atrás".

A greve de quarta-feira é a 12.ª paralisação geral em Espanha desde 1978, a segunda este ano - depois do protesto de 29 de Março - e a quarta desde o início da crise, com duas paralisações nacionais durante o anterior Governo socialista (em 2010 e em 2011).

O protesto de quarta-feira é apoiado pelas principais centrais sindicais espanholas que antecipam um êxito elevado no protesto.

Cerca de 30 deputados - entre os quais todos da Izquierda Plural, ERC, Amaiur e BNG e a deputada socialista Isabel López y Chamosa - farão greve e não estarão na sessão de quarta-feira no Congresso de Deputados.

O PSOE apoia a greve e vai enviar representantes para a manifestação que deverá encerrar a jornada de greve.

Estima-se uma redução de 30% nos transportes em Espanha, devido à greve, com mais de 615 voos cancelados pelas principais empresas aéreas que operam no país.

Formalmente o protesto começa na noite de hoje quando, cerca das 22:00, começar o turno da noite nas zonas industriais.

O Ministério do Interior instruiu já as forças de segurança para que atuem para garantir tanto o direito à greve como o direito ao trabalho.

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