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Correio da Manhã

Economia
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Seca extrema atinge 63 por cento do País

A situação de seca agravou-se de Março para Abril, com a seca severa e extrema (os dois níveis mais graves) a aumentarem 23 por cento, afectando agora 63 por cento do território nacional. Registou-se ainda um declínio na quantidade e qualidade das águas subterrâneas, anunciou ontem o Instituto da Água (Inag).
3 de Maio de 2005 às 00:00
Apesar do agravamento mensal, a situação de seca melhorou na última quinzena de Abril, com a percentagem de território nacional com níveis mais extremos a descer de 80 para 63 por cento. O número de pessoas afectadas por dificuldades no abastecimento de água também baixou, de 32 mil na primeira quinzena de Abril para 8400 pessoas no final do mês.
Em conferência de Imprensa, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, explicou que esta redução do número de habitantes afectados se deve à precipitação no final do mês na região Norte, já que o concelho de Bragança – o mais grave – foi retirado da lista.
“Não temos conhecimento de portugueses sem abastecimento de água”, garantiu Humberto Rosa, acrescentando que os efeitos mais negativos têm sido registados no sector da agricultura.
REDUZIR CARGA PISCÍCOLA
As medidas que estão neste momento a ser implementadas para minimizar os efeitos da seca são, segundo Humberto Rosa, a avaliação da carga piscícola nas albufeiras e o aumento da vigilância sobre a qualidade da água, sobretudo em casos onde se estão a utilizar fontes de abastecimento alternativas.
As albufeiras que carecem de uma redução da carga piscícola são as do Roxo e Vigia, que deverão ter descargas diárias de 200 quilos de peixe por dia. Para diminuir as quantidade de peixe em pequenas concentrações de água e evitar problemas por falta de oxigénio, o Governo vai recorrer a pescadores profissionais, adiantou Humberto Rosa.
Quanto às previsões para a primeira quinzena de Maio, o secretário de Estado disse que estas dependem dos níveis de pluviosidade, mas sublinhou que, “mesmo com muita chuva, há certas zonas que vão continuar com seca meteorológica”.
Humberto Rosa adiantou ainda que vai propor ao Conselho de Ministros um regime precário de licenças por furos e que vão ser avaliadas as consequências da seca no sector empresarial.
ROXO SEM ÁGUA PARA REGA
A barragem do Roxo, situada entre Beja e Aljustrel, não vai disponibilizar uma gota de água para a rega. Esta decisão, que se prende com o baixo nível das águas da albufeira devido à seca extrema que a região atravessa, vai afectar cerca de 300 agricultores e um total de três mil hectares. “A albufeira está apenas a 20 por cento da capacidade máxima e é necessária para abastecer as populações”, frisou Silvino Espada, presidente da Associação de Beneficiários do Roxo, acrescentando, em seguida, que “esta é a situação mais grave ocorrida na região, até porque os agricultores também não podem recorrer aos furos ou às ribeiras porque estão praticamente secas”.
NOTAS
SEM CHUVA
Nas regiões do Centro e Sul, os valores acumulados da quantidade de precipitação desde 1 de Outubro de 2004 a 30 de Abril de 2005 são os mais baixos dos últimos 65 anos, segundo o relatório quinzenal de acompanhamento da seca. E, em algumas regiões do território nacional, a situação está mesmo prestes a atingir valores históricos, lê-se ainda no documento..
SEVINATE CRITICA
O ex-ministro a Agricultura, Sevinate Pinto, criticou o atraso do Governo na tomada de medidas para minimizar os efeitos da seca, considerando ainda as decisões “insuficientes” e “incompatíveis” com a emergência da situação.
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