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Correio da Manhã

Economia
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Seca mata caça

A próxima época de caça, que se inicia em Agosto, poderá estar também em risco devido à situação de seca que o País está a atravessar. É que caso não chova em quantidades significativas nos próximos meses, metade da população cinegética poderá vir a desaparecer.
20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
“Se o tempo continuar assim vamos ter uma situação extremamente grave, porque a caça vai passar por necessidades alimentares. Podemos, mesmo, ter uma perda de 50 por cento do efectivo cinegético em todo o País”, frisou ao nosso jornal, Arménio Lança, presidente da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP).
Este responsável explicou, em seguida, que a falta de água nesta altura do ano é “bastante prejudicial” para as espécies que estão em reprodução, uma vez que a falta de alimento pode levar à morte da totalidade das crias.
“As lebres e os coelhos estão a começar a parir. As perdizes estão, neste momento, a acasalar. Com os bebedouros naturais praticamente desaparecidos e com os barrancos sem pinga de água, as crias vão acabar por morrer desidratadas ou, então, serão um alvo fácil dos predadores pela falta de vegetação”, salientou.
Se tal vier a acontecer, Arménio Lança acredita que em muitas zonas de caça associativas e municipais, os caçadores vão ter de decidir “se há actividade” na próxima época. “As turísticas podem superar a situação com os repovoamentos de animais. As municipais e associativas vão ter mais dificuldades devido aos poucos recursos financeiros”, concluiu.
CAÇADORES PEDEM APOIO DO ESTADO
Arménio Lança considera que a actividade cinegética deve também ter direito a apoios financeiros por parte do Estado.
“Se, devido à seca, estão a dar à agricultura e à pecuária, por que é que a caça não é também tratada da mesma forma pelas entidades governamentais?”, questionou.
Segundo este dirigente da CNCP, o reforço económico das associações de caçadores seria importante para estabilizar a população cinegética. “Para que as espécies não sofram demasiado tem de haver gente nos campos a repor bebedouros e a reforçar a alimentação. Mais isso tem de se pagar”.
Arménio Lança acrescentou ainda que actual situação poderá também trazer problemas financeiros ao interior do País. “Se não houver caça, muitos caçadores vão acabar por desistir. Isso irá criar problemas financeiros às associações, que depois vão ter de despedir guardas por faltar de verbas”.
PREOCUPAÇÕES
ANIMAIS
As perdizes, coelhos, lebres e javalis são as espécies cinegéticas mais vulneráveis a uma situação de seca. Sem vegetação, as crias das lebres e coelhos ficarão sujeitas à acção dos predadores.
ASSOCIAÇÕES
As associações que gerem a caça poderão vir a ter necessidades financeiras na próxima época. Se não houver animais, muitos dos 230 mil caçadores portugueses vão deixar de pagar para caçar.
REGIÕES
Faro (Algarve), Beja, Évora, Portalegre (Alentejo) e Castelo Branco (Beira Interior) são os distritos com maior aptidão cinegética no País e aqueles que vão ter maiores prejuízos devido à seca.
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