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Correio da Manhã

Economia
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SECTOR SEGURADOR REGISTOU UM DOS PIORES ANOS DE SEMPRE

O ano de 2001 ficará na história do sector segurador português como um dos mais "negros" de sempre.
19 de Junho de 2002 às 00:33
Para aferir da gravidade da situação basta ouvir as declarações do presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) : "os ciclos dos seguros têm momentos de grande crise que deveriam levar as companhias a pensar". António Reis disse que o sector "já bateu no fundo" e que "nem as seguradoras nem os segurados estão interessados em que haja situações de falência".


Os resultados positivos do sector (cerca de 55 milhões de euros/11 milhões de contos), ontem apresentados em conferência de imprensa, apenas foram possíveis porque as companhias beneficiaram de uma autorização de diferimento de menos-valias da ordem dos 170 milhões de euros (34 milhões de contos) até ao final de 2004.


"Se essa autorização não fosse dada, o sector teria apresentado um saldo de exploração negativo da ordem dos 116 milhões de euros (23 milhões de contos)", disse António Reis.


Os ramos mais afectados foram os relativos ao automóvel, que registou um resultado negativo de 132 milhões de euros (26,5 milhões de contos), e aos acidentes de trabalho, que apresentou um saldo negativo de 34 milhões de euros.


Até o ramo dos fenómenos naturais, que tem sido quase sempre positivo, registou um saldo negativo de 37 milhões de euros, devido às inundações que assolaram o País no início do ano.


Os acontecimentos de 11 de Setembro, embora não tenham tido uma influência directa no mercado segurador português, vieram agravar, ainda mais, as condições de exploração das companhias. Isso mesmo pode ser comprovado pelo facto de os seguros de transportes, nomeadamente os referentes aos aviões, terem registado uma subida do volume de prémios da ordem dos 75 por cento.


O activo líquido do sector segurador evoluiu a um ritmo lento e ronda os 29 mil milhões de euros (5,8 mil milhões de contos).


Quanto a 2002, "o crescimento dos prémios de seguro não vai ser famoso", previu o presidente da APS, acrescentando que, no ramo automóvel, "o crescimento será quase nulo, se tivermos em conta o aumento da inflação e o crescimento da frota automóvel segura."


O presidente da APS prevê para 2003 uma melhoria nas condições de exploração. "O ramo Vida deverá voltar aos crescimentos registados em 1999 (cerca de 10 por cento), embora isso dependa muito das estratégias escolhidas pelos bancos", adiantou. O crescimento do ramo Não Vida deverá ser da ordem dos 12 por cento.


Entretanto, a APS está a estudar de perto os efeitos da aplicação de uma Directiva comunitária que revê os níveis de solvência das companhias. "Não parece existir qualquer tipo de problema nesse aspecto, mas estamos a analisar todo o sector", disse António Reis.
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