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Correio da Manhã

Economia
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Seguros querem gerir clínicas

As companhias de seguros querem construir e gerir clínicas de reabilitação para as vítimas de acidentes de viação. Segundo apurou o CM junto da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), esta proposta já foi comunicada ao Governo.

23 de Junho de 2008 às 14:30
Companhias querem acabar com as indemnizações no caso das pequenas incapacidades resultantes de acidentes de viação
Companhias querem acabar com as indemnizações no caso das pequenas incapacidades resultantes de acidentes de viação FOTO: Mariline Alves

"O problema da reabilitação preocupa-nos. As companhias fizeram variadíssimas propostas sobre esta matéria. As seguradoras sabem tratar as pessoas, diariamente temos contacto com casos em que, em virtude de acidentes, as pessoas ficam paraplégicas ou tetraplégicas e têm família para sustentar. Este é um drama nacional", afirmou o presidente da APS ao CM. Pedro Seixas Vale adiantou que a APS fez uma proposta para o tratamento das pequenas incapacidades. "Propusemos que algumas incapacidades não tivessem indemnização e que esse dinheiro fosse aplicado num fundo para a construção de quatro ou cinco hospitais a nível nacional dedicados à reabilitação. Só quem vai a Alcoitão percebe o drama dos jovens que foram vítimas de acidentes de viação", acrescentou o presidente.

Esta ideia ainda não teve o acolhimento do Governo. As seguradoras consideram que esta ideia contribuiria para a resolução de um problema efectivo do nosso país.

"O que custa muitas vezes é ver que não temos um conceito de solidariedade. Os portugueses não são solidários, são individualistas", diz Pedro Seixas Vale.

O presidente da APS afirma ainda que o que interessa às companhias é "gerir os sinistros de forma célere e rápida", recuperando o mais possível todos aqueles que foram vítimas de um acidente de viação.

Segundo dados da Associação Portuguesa de Seguradores, num universo de 120 mil sinistros o grau de incumprimento das companhias face às novas exigências impostas pelo Decreto-lei 291/07 e pela Portaria 377/2008 foi da ordem de 2,9 por cento. No entanto, as companhias estão receosas face às multas que poderão vir a ser aplicadas sobre esse incumprimento.

À LUPA

SEIS VEZES ANALISADO

Segundo as novas regras de regularização de sinistros, o comportamento da seguradora é analisado em seis momentos diferentes do processo.

RENDIMENTOS

Os rendimentos considerados para efeitos de indemnização têm de ser os fiscalmente de-clarados.

DESPROPORÇÃO

As seguradoras consideram desproporcionais as multas que podem ser aplicadas em caso de incumprimento.

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