Muitos milhões de euros desapareceram da Bolsa. E se o Verão foi extremamente negativo, o mês de Setembro foi particularmente negro para as empresas e investidores. O principal índice da praça portuguesa regressou ontem aos níveis de 1996, com a maior quebra do ano.
No mês, os prejuízos do PSI-20, o principal indicador da praça portuguesa, ascenderam a 16,6 por cento. Nos três meses de Verão as perdas do índice estão nos 25% e desde o início do ano, 34,80 por cento do valor da capitalização bolsista já desapareceu.
Para se ter uma ideia do dinheiro que se ‘evaporou’ da Bolsa, no mês de Setembro a PT, a empresa mais importante do índice, onde representa um peso de 16,4%, perdeu 31 por cento do seu valor, o que representa uma diminuição superior a 2 mil milhões de euros.
Sonae.com e Impresa seguem-se na lista das empresas mais penalizadas no mês, sendo seguidas pelo BCP, que assistiu a uma quebra de 24%. O banco liderado por Jardim Gonçalves e que este ano assistiu à saída de alguns administradores, já perdeu nestes nove meses mais de cinco mil milhões de euros da sua capitalização bolsista, uma vez que encerrou o ano passado nos 4,55 euros e ontem baixou para os 2,15 euros. A instituição liderada por Jardim Gonçalves tem sido penalizada por notícias que falam sobre a necessidade de um aumento de capital, o que tem sido negado pelo banco.
Além dos grandes investidores bolsistas que estão a perder fortunas, os pequenos investidores, que em 1997 e a seguir ao sucesso da privatização da EDP, correram em força para a Bolsa à procura de alternativas aos fracos rendimentos dos depósitos que têm assistido a uma erosão mensal do valor da sua carteira de aplicações.
Das grandes operações de privatização, os pequenos investidores já saem com grande prejuízo. No caso da eléctrica, que ontem atingiu um novo mínimo, as perdas percentuais já nem são tão elevadas porque ao longo dos últimos anos a tendência tem sido de contínua baixa e até se alheou no ano 2000 da euforia que se viveu no sector das telecomunicações.
Dos papéis onde os pequenos investidores correram em força, a Brisa tem sido o único com um comportamento menos negativo, apesar de ter perdido 12,3 por cento no trimestre.
A derrocada bolsista que preocupa muitos investidores portugueses não é culpa exclusiva das empresas. Aliás os relatórios e contas das principais sociedades cotadas em Portugal revelam dados económicos e financeiros contrastantes com a evolução da sua cotação bolsista.
As empresas portuguesas acabam por sofrer um 'efeito bola de neve' que arrasta as bolsas mundiais e leva os investidores a apostar em outro tipo de aplicações.
Na Europa todas as praças sofreram importantes quebras e os sinais vindos dos Estados Unidos também não ajudaram à recuperação. E o problema é que não se sabe quando se atinge o ‘fundo’, porque nos próximos meses ainda podem aparecer piores notícias.
As razões para esta depressão bolsista são variadas: a incerteza quanto à economia mundial, o mau desempenho das grandes empresas mundiais, a falta de confiança generalizada na economia, a tensão Iraque/EUA e até os receios sobre a vitória eleitoral de Lula no Brasil, são algumas das explicações adiantadas.
Os investidores da PT e EDP têm sofrido nos últimos meses devido à grande exposição ao mercado brasileiro, onde realizaram grandes investimentos nos últimos anos. As sondagens apontam para uma vitória do ex-sindicalista Lula, do partido dos Trabalhadores e por isso os títulos expostos a esse mercado têm sofrido mais penalizações.
Evolução dos principais títulos da Bolsa
A companhia eléctrica nacional está em níveis inimagináveis. Ontem fechou nos 1,51 euros, quase metade do máximo das últimas 52 semanas. Foi esta empresa que levou o capitalismo popular para a Bolsa em 1997. Muitos milhares de pequenos accionistas têm razões para lamentar não ter vendido as acções da empresa em 1998, quando valiam mais de 4,5 euros.
A principal operadora de telecomunicações está a ser alvo da pressão que afecta o sector a nível mundial. Mas a PT é das empresas menos endividadas do sector. Ontem fechou nos 4,55, longe dos 13 euros que chegou a valer durante a euforia de 2000. É preciso recuar a 1996 para ver registos de uma cotação tão baixa da PT.
Em termos de imagem bolsista, 2002 está a ser o ‘annus horribilis’ do BCP, uma das instituições financeiras mais prestigiadas que este ano está a sofrer uma quebra acentuada. Em final de 2000, os títulos do grupo liderado por Jardim Gonçalves valiam 5,41 euros ajustados ao aumento de capital. No ano passado terminaram nos 4,55. Ontem fechou nos 2,15.
A concessionária de auto-estradas é ainda um papel refúgio desta crise bolsista. É certo que os 5 euros de ontem, a colocam a alguma distância do máximo de 6,16 das últimas 52 semanas, mas também está longe do mínimo de 4,42. Apesar de tudo é uma grande empresa que tem registado um comportamento melhor que a média do mercado.
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