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Correio da Manhã

Economia
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SETÚBAL É O CAMPEÃO DO DESEMPREGO

Bagão Félix receitou um tratamento à base de “antibióticos” para combater o desemprego na Península de Setúbal.
3 de Julho de 2003 às 00:00
O ministro do Trabalho apresentou ontem um Plano de Intervenção para a Península de Setúbal (PIPS) que pretende acabar com aquilo que apelidou de um tratamento “com aspirinas”. Com um orçamento global 147 milhões de euros para o triénio 2004/2006, este programa pretende incentivar a criação de empresas e postos de trabalho. Até 2006 prevê- -se que cerca de 16,5 mil pessoas beneficiem desta iniciativa.
Tendo em conta o crescimento acentuado do número de desempregados com formação secundária e superior, Bagão Félix garante que este plano vai igualmente ajudar “os desempregados que têm qualificações médias ou altas a criarem o auto-emprego, gerando empresas e facilitando o acesso ao micro-crédito bancário”.
Segundo Rui Paixão, coordenador da União de Sindicatos de Setúbal, o plano não passa de uma encenação. O sindicalista sublinha que este programa “não passa de uma junção de medidas já existentes, que já estavam a ser executadas” e que, segundo o dirigente, não estão a produzir o efeito desejado, uma vez que o desemprego em Setúbal está “ a crescer à média de 715 (cerca de 24 por dia) desempregados em cada mês”. Rui Paixão acrescenta que “houve apenas um reforço financeiro”.
MULHERES MAIS AFECTADAS
Na Península de Setúbal o desemprego não pára de crescer. Actualmente estão 36 498 desempregados registados nos centros de emprego em Maio.
As mulheres são as mais afectadas. Do total, 19 916 dos desempregados são do sexo feminino e 16 582 do sexo masculino. A faixa etária entre os 25 e os 44 anos é a mais atingida, pois 17 544 das pesssoas sem trabalho encontra-se neste grupo de idades.
A região apresenta uma taxa de desemprego de 9,6 por cento, que é superior à média nacional (de 6,4 por cento) e à média da região de Lisboa e Vale do Tejo que tem 7,4 por cento, situação que se repete de forma cíclica desde a década de 70.
Cerca de 16 660 dos desempregados têm qualificações secundárias ou superiores, um aumento que entre 1998 e 2002 foi de 10,4 e 44,4 por cento respectivamente.
De acordo com os censos de 2001, a população residente na Península ascendia a 714 mil habitantes, o que representa um acréscimo de 11,6 por cento, face aos residentes em 1991.
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