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Correio da Manhã

Economia
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Smith confirmou luvas no Freeport

Sócio da empresa promotora do outlet de Alcochete confirma reunião com advogados onde foram exigidos quatro milhões para o licenciamento.
23 de Julho de 2010 às 00:30
Smith desmentiu Hugo e garantiu que aquele lhe prometeu desbloquear caso em Bruxelas
Smith desmentiu Hugo e garantiu que aquele lhe prometeu desbloquear caso em Bruxelas FOTO: Miguel Baltazar/Jornal de Negócios

Charles Smith, sócio da promotora do Freeport e arguido no processo, confirmou às autoridades, no âmbito do processo judicial, que o licenciamento do projecto dependeu de luvas de quatro milhões de libras exigidas pela sociedade de advo-gados que trabalhava para a Smith & Pedro.

No depoimento que fez à PJ em 23 de Março, Charles Smith referiu que a proposta de subornos foi feita numa reunião em Dezembro de 2001, no escritório dos advogados Albertino Antunes, Alexandre Oliveira e José Gandarez, genro do então ministro da Economia. O encontro ocorreu dois dias depois do projecto ter sido chumbado e antes das eleições autárquicas de 16 de Dezembro.

Smith declarou que só depois se realizou a reunião com o então ministro do Ambiente, José Sócrates. Smith admitiu que o seu sócio lhe comunicou que existia um plano para o projecto ser aprovado antes das legislativas. Contudo, afirmou que a promotora não recebeu nem mediou pagamentos de luvas para garantir o licenciamento do outlet.

Nas suas declarações, Smith também entrou em contradição com Hugo Monteiro, primo de José Sócrates. O promotor do Freeport garantiu que aquele lhe disse que ia tentar desbloquear o processo em Bruxelas (movido pelos ambientalistas) e que falara com os responsáveis do Freeport, a seu pedido, para que ele pudesse ser recebido por um director e apresentar o seu projecto.

ACUSAÇÃO ATÉ TERÇA-FEIRA

A acusação ou eventuais arquivamentos do processo Freeport será proferida até terça-feira. O relatório final, já entregue em Junho, passado pela Polícia Judiciária de Setúbal servirá para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal, liderado por Cândida Almeida, fazer o despacho final.

O relatório da PJ, ao contrário do que acontece em outros processos, é exaustivo, mas limita-se a elencar os meios de prova considerados e as declarações prestadas. Não é feita qualquer sugestão de acusação ou arquivamento.

A partir de terça-feira, após ser proferido o despacho, todo o processo será tornado público, terminando assim o segredo de justiça que vigorou nos últimos seis anos. José Sócrates, que não foi constituído arguido, não poderá ser acusado.

 

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