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Correio da Manhã

Economia
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“Solução para Portugal está na Europa"

O filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço disse neste sábado à agência Lusa que "a saída de Portugal para a crise está na Europa".
6 de Agosto de 2011 às 19:13
Eduardo Lourenço acredita que a população "espera pelo fim destas férias para tomar medidas quanto ao que realmente acontece"
Eduardo Lourenço acredita que a população 'espera pelo fim destas férias para tomar medidas quanto ao que realmente acontece' FOTO: Sérgio Lemos

Eduardo Lourenço falava à margem de uma homenagem que lhe foi prestada na sua aldeia natal de São Pedro de Rio Seco, Almeida, com o descerramento de uma placa na casa onde nasceu e a inauguração de uma escultura.         

Questionado sobre a situação do País, respondeu que,"contrariamente à opinião de várias pessoas", pensa que "a saída continua a ser através da Europa".         

Lourenço vai mais longe, dizendo que se o País não encontrar uma solução europeia, "não a encontra em parte nenhuma", porque já não existem "aqueles espaços de fuga que foram os grandes séculos de Portugal".         

Radicado em França, Eduardo Lourenço diz que, apesar da crise, ao chegar ao País nãi sentiu "uma atmosfera crítica", que atribui também ao facto de o Governo ainda gozar "dos 100 dias de benefício da dúvida que se dá sempre a quem assume o poder".         

Mas alerta: "[A crítica] está latente e quem se sente são as pessoas que estão afectadas por tudo aquilo que já se anunciou".         

Eduardo Lourenço acredita que a população "espera pelo fim destas férias para tomar medidas quanto ao que realmente acontece", considerando por isso que, para já, "a crise está entre parênteses, mas sabemos que o pior esta para vir".         

Para o filósofo, Portugal tem que resolver a crise "em casa" e depois "na casa ainda não comum, mas que se deseja comum no futuro chamada Europa".        

O ensaísta reconhece ser "menos pessimista que muita gente" em relação ao ideal europeu, mas recusa qualquer euforia "como a de há 50 anos, depois de um século de guerras".         

Lourenço apontou a sua aldeia como um exemplo das suas palavras: "Esta aldeia nunca viveu tão bem. Era muito mais pobre e nunca ninguém tinha recebido um tostão que viesse do Estado."         

O ensaísta chamou também a atenção para os carenciados: "Esperemos que ainda haja algum dinheiro para aqueles que são mais desprotegidos".         

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