Os telemóveis de terceira geração são cada vez mais uma realidade virtual na Europa. Em Portugal, onde o lançamento comercial deste serviço foi inicialmente fixado para 31 de Dezembro de 2001, a nova tecnologia de comunicações, que irá permitir serviços tão diversos como a transmissão de vídeos, já foi adiada duas vezes, admitindo-se agora que possa ser lançada em 31 de Dezembro de 2003.
Depois da euforia inicial sobre o lançamento desta nova tecnologia, que chegou a estar previsto para 2002 em vários países europeus, a crise económica no mercado e a indisponibilidade do necessário equipamento técnico têm forçado as autoridades e os próprios operadores de telecomunicações a adiar a entrada em funcionamento deste serviço. Quase todos os países europeus, desde a Espanha, à França ou à Finlândia, adiaram já as datas do início da comercialização dos telemóveis de terceira geração.
Em Portugal, onde os telefones móveis têm tido um dos maiores sucessos do mundo, os potenciais clientes vão ter de esperar mais um ano pelo lançamento do sistema UMTS. Para já, a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) apresentou recentemente ao Governo uma proposta para que o lançamento da terceira geração de telemóveis fosse adiado para 31 de Dezembro de 2003, quando estava fixado que isso aconteceria em 31 de Dezembro deste ano.
Ainda que sejam desconhecidas as razões avançadas pela ANACOM para sustentar mais um adiamento da comercialização do sistema UMTS, não será de estranhar que a posição dos operadores de telecomunicações tenha tido influência nesta decisão. O próprio presidente da ANACOM, Álvaro Dâmaso, defendeu, aliás, que o adiamento do projecto exigia uma posição única entre TMN, Vodafone e Optimus.
A Optimus, por exemplo, uma das empresas com licença para operar com esta nova tecnologia, já defendeu o adiamento dos telefones móveis de terceira geração para o final de 2003. Segundo António Casanova, responsável da Optimus, “atendendo às condições vantajosas (em termos de custos para os operadores portugueses), existe a obrigatoriedade de lançar a terceira geração móvel mesmo antes de verem a sua viabilidade em termos comerciais”. E, “por isso, existindo perspectivas de viabilidade técnica no final de 2003, é para essa altura que pedimos o adiamento”, concluiu. A crise económica e a indisponibilidade da tecnologia necessária para avançar com a operacionalidade do sistema UMTS têm contribuído para o atraso do lançamento do projecto. “Se não houver terminais em quantidade e qualidade suficiente, não faz nem trará benefícios económicos para o sector” o arranque do projecto”, diz a Optimus.
AGENTES DA ONIWAY AMEAÇAM ACORDO DE VENDA DA EMPRESA
Uma sentença do Tribunal Cível de Lisboa, decretada na sequência de uma providência cautelar interposta por um grupo de 13 empresas que iriam funcionar como agentes da OniWay, poderá colocar em risco o acordo com a TMN, Vodafone e Optimus para o encerramento do quarto operador de telefones móveis de terceira geração.
Sentença do tribunal determina o arresto do “direito ao uso da licença de UMTS”, de uma parte dos créditos, sobre a Vodafone, Optimus e TMN, no montante de 60 milhões de euros, e do “dinheiro depositado em contas bancárias” da empresa.
Com 53 lojas prontas para abrir, o grupo de 13 empresas queixosas exige à OniWay uma indemnização de 75 milhões de euros pelos investimentos já realizados e lucros perdidos. Essas empresas solicitaram ainda ao tribunal o “arresto preventivo para garantirem que a anunciada venda dos activos da OniWay aos outros três operadores de telemóveis, que deverá ascender a 150 milhões de euros, não prejudicará o pagamento desse montante. A EDP, o principal accionista da OniWay, investimento nesta empresa 484 milhões de euros nos últimos dois anos.
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