S&P mantém rating mas sobe perspectiva para a dívida de Portugal

Aência de notação financeira manteve a classificação da dívida soberana no último nível da categoria de investimento de qualidade.
14.09.18
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A Standard & Poor’s reafirmou o rating da dívida soberana de Portugal em ‘BBB-’, um nível acima de lixo. A agência, recorde-se, foi a primeira das três grandes a retirar Portugal da categoria de investimento especulativo, ao melhorar a avaliação do país em Setembro do ano passado para o patamar onde decidiu agora mantê-lo.

 

Quanto à perspectiva (outlook) para a evolução da qualidade da dívida, a S&P subiu-a de "estável" para "positiva", o que significa que em breve poderá voltar a elevar a classificação soberana. Se esse "upgrade" se concretizar, o rating passará para BBB (dois níveis acima de lixo).

A S&P foi assim ao encontro do que estimavam os analistas do Commerzbank, que estavam convictos de que a agência poderia melhorar a perspectiva de Portugal.

Centeno chama atenção para confiança da S&P em Portugal


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Esta actualização reflecte a confiança na sustentabilidade dos progressos registados na evolução da economia portuguesa e na gestão das contas públicas, com destaque para as projecções de um crescimento económico robusto, a diminuição da dívida externa, o dinamismo do sector exportador e a solidez do processo de consolidação orçamental", refere o comunicado enviado pelo Ministério das Finanças às redacções.

 

De notar também "os progressos alcançados no reforço da estabilidade financeira, entre os quais a redução significativa do rácio do crédito mal parado", acrescenta.

 

"Este desenvolvimento é o resultado das nossas políticas orientadas para reforçar a confiança dos agentes económicos, estabilizar o sistema financeiro e equilibrar as contas públicas, através do aumento continuado da qualidade da despesa pública", realça o ministro das Finanças, Mário Centeno.

 

E prossegue: "o Governo tenciona alcançar um orçamento equilibrado no próximo ano e manter a trajectória descendente do peso da dívida pública no PIB, por forma a reforçar a resiliência das contas públicas e da economia portuguesa".

 

"A decisão da S&P traduz o compromisso do Governo de prosseguir uma gestão criteriosa das contas públicas e de continuar a promover um crescimento económico sustentável inclusivo, com aumento do emprego e redução das desigualdades", remata o comunicado das Finanças.

 

Moody's foi a primeira a colocar Portugal no lixo…

 

Recorde-se que a 6 de Abril 2011 José Sócrates anunciava ao País que Portugal ia pedir ajuda externa, uma notícia que Teixeira dos Santos avançara, horas antes, ao Negócios.

 

As agências de rating já vinham a descer a classificação portuguesa há alguns meses, mas foi este pedido de ajuda, que conduziu ao programa de assistência financeira da troika, que precipitou Portugal para o lixo.

 

O então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, declarou a 8 de Julho que as decisões das principais agências de rating eram "uma ameaça à estabilidade da economia europeia" e considerou "escandalosa" a entrada no lixo, pela mão da Moody’s, da classificação da República Portuguesa. Quase sete anos depois, esta agência é a unica entre as consideradas grandes a manter Portugal no patamar de "junk".

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