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Correio da Manhã

Economia
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Spreads motivam 1177 reclamações

Entre Janeiro e o início de Dezembro a DECO já recebeu 1177 queixas de consumidores relativas aos spreads, ou seja, à margem de lucro cobrada pelos bancos nos créditos à habitação.
14 de Dezembro de 2010 às 00:30
O número de queixas poderá subir, já que os juros e spreads tenderão a subir no próximo ano
O número de queixas poderá subir, já que os juros e spreads tenderão a subir no próximo ano FOTO: Natália Ferraz

O número está já bastante próximo do das reclamações recebidas pela associação no ano passado. Segundo dados fornecidos pela DECO, em 2009 foram contabilizadas 1189 reclamações relativas aos spreads cobrados pela Banca, apenas mais doze do que este ano. Os dados de 2010 reflectem apenas as queixas recebidas até dia 10 deste mês.

A tendência poderá acentuar-se já no início do próximo ano, até porque os spreads exigidos pelas instituições financeiras estão cada vez mais altos. Segundo o ‘Diário Económico’, o juro máximo cobrado aos clientes com maior perfil de risco ultrapassa já os 4% em cinco bancos: o Banif lidera ao cobrar 4,45%; seguem-se BPI e BES com 4,4%, CGD com 4,2% e BCP com 4%. O spread mínimo nestas cinco instituições situa-se entre 1,25% e 2%.

São os bancos estrangeiros, sobretudo os espanhóis, que oferecem as taxas mínimas mais reduzidas, algumas das quais ainda abaixo dos 0,5%. Só que, revela a DECO, os requisitos para obter tão boas condições de financiamento são "praticamente inatingíveis". Na análise que a associação fez em Novembro, constatou que BBVA, Banco Popular, Caixa Galicia, Caja Duero e Deutsche Bank anunciam spreads na casa dos 0,4% a 0,8%, "muito abaixo da grelha de base". "Mas as condições para beneficiar destas percentagens são inacessíveis à maioria dos consumidores", sublinha a DECO.

Os bancos exigem um montante de entrada bastante elevado (entre 25 e 50% do valor da avaliação do imóvel). Além disso, diz a DECO, "o consumidor é quase obrigado a ‘casar’ com a instituição". Ou seja, tem de contratar cartões de crédito e débito, seguros de vida e multi-riscos, domiciliar ordenado e pagamento de contas.

CARTÕES DE CRÉDITO COM 33% DE JUROS

Os juros máximos que as instituições de crédito estão autorizadas a cobrar nos empréstimos ao consumo estão a descer em todas as modalidades à excepção dos cartões de crédito.

No primeiro trimestre de 2011, os bancos podem aplicar um juro máximo de 33,2% nos cartões, nas contas caucionadas e facilidades de descoberto, o valor mais elevado desde que o Banco de Portugal publicou legislação para evitar a usura. O valor é em 0,4 pontos superior aos juros máximos cobrados no 1º trimestre deste ano. No crédito pessoal para Educação, Saúde e Energias Renováveis o juro máximo baixou para 5,8% e na generalidade destes empréstimos situa-se nos 19,2%. No crédito automóvel, o valor varia entre 7,7% e 15%.

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