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Correio da Manhã

Economia
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Standard & Poor's retira Portugal de 'lixo'

É a primeira grande agência de rating a atribuir rating de qualidade ao país.
15 de Setembro de 2017 às 21:05
Mário Centeno
Agência notação financeira Standard and Poor's Global Ratings
Mário Centeno
Mário Centeno
Mário Centeno
Standard & Poor's
Mário Centeno
Agência notação financeira Standard and Poor's Global Ratings
Mário Centeno
Mário Centeno
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Standard & Poor's
Mário Centeno
Agência notação financeira Standard and Poor's Global Ratings
Mário Centeno
Mário Centeno
Mário Centeno
Standard & Poor's

A agência de rating Standard and Poor's retirou Portugal do nível de 'lixo', esta quinta-feira.

Esta é a primeira das três grandes agências de rating a colocar o país a um nível considerado de qualidade. 

Na prática, a empresa subiu a notação da dívida pública portuguesa de BB+ (ainda no campo da dívida especulativa ou 'lixo financeiro') para BBB-, um primeiro nível de investimento.

Em comunicado, a República Portuguesa garante que "a decisão abre caminho ao alargamento da base de investidores na dívida" pública e, assim, à "melhoria das suas condições de financiamento". 

"Este efeito permitirá a melhoria das condições de financiamento das famílias e empresas portuguesas", é dito.

Centeno salienta "progresso notável" de Portugal 
"A decisão da Standard and Poor’s traduz o crescente reconhecimento, por parte de agentes institucionais e privados, do progresso notável que Portugal tem vindo a fazer na economia e nas contas públicas", afirmou o ministro das Finanças, Mário Centeno. "A Standard and Poor’s baseia a sua decisão no reconhecimento da recente mudança estrutural ocorrida no setor financeiro, na abrangência do crescimento económico, alicerçado numa forte dinâmica de investimento e de exportações, e no controlo da despesa e da dívida pública", diz Centeno. 

Recorde-se que Portugal já se encontrava na categoria de "lixo financeiro" desde janeiro de 2012.

Crescimento económico e redução do défice levam S&P a tirar Portugal do lixo
A economia a crescer 2% em média até 2020, um défice de 1,5% este ano e menos riscos no acesso ao financiamento levaram a agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) a tirar Portugal do 'lixo'.

A S&P decidiu hoje rever em alta o 'rating' atribuído à dívida soberana portuguesa de 'BB+', a nota mais elevada de não investimento, para 'BBB-', a mais baixa de investimento, dispensando o passo intermédio habitual de subir a perspetiva, de 'estável' para 'positiva' antes de o fazer.

"A revisão em alta reflete a melhoria das previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português entre 2017 e 2020, bem como o progresso sólido que o país fez em diminuir o défice orçamental e um menor risco de uma deterioração nas condições de financiamento externas", afirma a agência de notação numa nota divulgada hoje.

A nova notação de investimento atribuída a Portugal por uma das três maiores agências de 'rating' traz consigo também uma perspetiva 'estável', o que significa que S&P considera que as condições económicas não se devem alterar, nem levar a mudanças na nota.

Entre os argumentos da S&P para rever o 'rating' está o crescimento económico por quatro anos consecutivos e a perspetiva de que a economia portuguesa cresça 2,2% em média até 2020: 2,8% este ano e 2,3% em 2018.

"Esperamos que o comportamento económico continue a ser generalizado, com contributos positivos de todos os setores", afirmam os analistas da agência, antecipando um aumento no investimento público, devido às eleições autárquicas deste mês e ao novo período de fundos europeus.

A agência destaca também o foco do Governo em "fortalecer o sistema bancário português e a consolidação orçamental", recordando que o executivo socialista "cumpriu o seu objetivo orçamental ambicioso" de 2016 e "parece que o vai fazer novamente este ano, apoiado pela aceleração do crescimento económico e incluindo o impacto positivo do mercado de trabalho no balanço da Segurança Social".

Em resultado de uma consolidação orçamental contínua, que a S&P espera que o Governo mantenha, a dívida pública líquida "deverá diminuir" até 2020, antecipa.

Entre outros aspetos positivos destacados está a queda da taxa de desemprego, que a agência de notação financeira acredita "advir parcialmente das reformas no mercado de trabalho tomadas pelo anterior Governo" PSD/CDS-PP, durante o programa de ajustamento.

A S&P acredita que o Governo liderado por António Costa não deverá reverter essas medidas, ao contrário do que aconteceu com o regresso às 35 horas, uma medida com a qual a agência concorda, pelo "impacto posítivo" no salário disponível.

A empresa recusa, por outro lado, que o aumento no salário mínimo tenha enfraquecido a competitividade, embora admita que o envelhecimento, a emigração e uma diminuição na força de trabalho aumentem esse desafio.

Por fim, e embora admita que o 'Quantitative Easing' do Banco Central Europeu (BCE) tenha ajudado a reduzir os custos de financiamento do Estado e das empresas, a S&P acredita que uma redução nos estímulos da instuição tem um "risco reduzido" para Portugal.

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