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Correio da Manhã

Economia
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SUBIDA DOS PREÇOS AUMENTA ENCARGOS DAS LOJAS

A maioria dos comerciantes ainda não aplicou o aumento de dois por cento do IVA aos seus produtos porque a mudança, de forma súbita, acarreta elevados encargos para os empresários. A revelação foi feita ao Correio da Manhã pela presidente da União das Associações de Comércio e Serviços (UACS), Carla Salsinha.
12 de Junho de 2002 às 13:05
"A maior parte dos nossos associados não está a alterar os preços porque isso implica custos muito elevados", afirmou a responsável.

Segundo Carla Salsinha, a alteração dos preços "vai sendo feita aos poucos e poucos" porque uma mudança súbita implica, para muitos empresários, o fecho das lojas.

Os artigos que estão a sofrer as primeiras alterações e que já começaram a ser retirados das lojas "são os mais caros", revelou a presidente da UACS. "A mudança devia ter sido feita de forma gradual", sublinhou.

Confrontada com o facto de, segundo a Deco, vários comerciantes estarem a somar dois por cento ao preço final do produto, alegando tratar-se do aumento do IVA, Carla Salsinha disse que a UACS "ainda não recebeu quaisquer queixas".

No entanto, admitiu essa possibilidade e lembrou que a União divulgou um comunicado a alertar para os riscos do aumento da carga fiscal para o comércio.

Entretanto, segundo a Associação Portugusa de Defesa dos Consumidores (Deco), alguns comerciantes estão a acrescentar dois por cento de aumento aos preços afixados dos produtos, alegando que se trata da subida do IVA.

Queixas à Deco

Os consumidores devem recusar-se a pagar e denunciar a situação à Inspecção Geral das Actividades Económicas (IGAE), recomenda a associação de consumidores.

Segundo Jorge Morgado, secretário geral da Deco, várias pessoas queixaram-se de algumas lojas, em vários pontos do País, como Santarém, Braga ou Porto, de estarem a somar dois por cento ao preço marcado, quando o consumidor o vai pagar, alegando tratar-se do aumento do IVA.

"O preço afixado é o preço final e o comerciante não pode incorporar nele o aumento do IVA", explicou.

O responsável da Deco sugere aos consumidores que tenham conhecimento destes casos que informem a IGAE porque, na sua opinião, é a esta entidade que compete inspeccionar "prática comerciais ilegais".

Para o responsável da Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor, "a rápida actuação da inspecção-geral evitará que aconteçam mais ilegalidades". O aumento de dois por cento do IVA entrou em vigor à meia-noite de dia 5.
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