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Correio da Manhã

Economia
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TAP perde um milhão com greve espanhola

A greve ‘selvagem’ dos controladores aéreos em Espanha provocou prejuízos de cerca de um milhão de euros à TAP, revelou ao CM fonte da companhia. A operação aérea foi retomada ontem, mas os efeitos do cancelamento e adiamento de perto de cem ligações nos aeroportos nacionais deverão prolongar-se durante o dia de hoje.
5 de Dezembro de 2010 às 00:30
O caos instalou-se no aeroporto de Lisboa, com dezenas de voos afectados
O caos instalou-se no aeroporto de Lisboa, com dezenas de voos afectados FOTO: Pedro Catarino

Milhares de passageiros encheram os terminais de partidas nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, tendo enfrentado longas horas de espera. "São 12h30, chegámos ao aeroporto às 07h00. Tínhamos férias marcadas para Barcelona e Andorra. Passámos o controlo de embarque, mas voltámos para trás. Por sorte, cruzámo-nos com as nossas malas, meio perdidas no tapete. Isto está o caos", lamentavam Manuela e José Bela, em Lisboa. Entre os passageiros prejudicados esteve a actriz Dalila Carmo, que pretendia voar para Madrid. Acabou por ir de carro. A TAP já começou a fazer as contas aos prejuízos provocados por uma paralisação que apanhou de surpresa autoridades, companhias aéreas e até sindicatos espanhóis e que, em menos de 24 horas, lançou o caos nos aeroportos europeus, deixando em terra milhares de passageiros. Recorde-se que os controladores aéreos espanhóis abandonaram os postos de trabalho às 17 horas de sexta-feira, alegando doença, como forma de protesto contra as reduções salariais, no âmbito das medidas anticrise decretadas pelo governo espanhol. Além da transportadora nacional, que se viu obrigada a anular 17 voos entre o fim do dia de sexta-feira e ontem, esta paralisação obrigou ao cancelamento de 47 partidas e 50 chegadas aos aeroportos nacionais, apurou o CM junto de fonte da gestão aeroportuária. A TAP contabiliza como prejuízos aviões imobilizados, despesas com hotéis e refeições dos passageiros retidos (cerca de 250), alterações de tripulações e até combustível a mais devido à reprogramação dos voos que tiveram as rotas alteradas devido à falta de controlo nos céus espanhóis. Apesar da reabertura do espaço aéreo em Espanha, a normalização dos voos ainda vai demorar. "Os aeroportos têm regras rígidas quanto ao número de aterragens permitidas por hora", explicou António Monteiro, relações-públicas da TAP.

DESESPERO SEM SOLUÇÕES NO PORTO

Orlando e Maria Magalhães chegaram ontem às oito da manhã ao aeroporto Sá Carneiro, no Porto, e ficaram o dia todo em terra à espera de solução para voar rumo a França. Outros milhares de passageiros tiveram o mesmo destino: os bancos do aeroporto, o chão e as filas para informações. Ao final do dia, as malas de viagem já serviam de cadeiras, tantas eram as horas de espera. Os voos das companhias low cost da Ryanair e easyJet foram os mais afectados.

CENTENAS À ESPERA EM FARO

No aeroporto de Faro, ao longo de toda a manhã e grande parte da tarde, largas centenas de pessoas acumularam-se na fila para o balcão de informações. Com praticamente todos os voos cancelados, os viajantes procuravam uma alternativa para chegarem ao destino. Havia até casos de turistas que se deslocaram de Sevilha até à capital algarvia, na esperança de conseguirem um voo, mas não tiveram sorte. Só a meio da tarde é que a situação começou a normalizar-se.

GOVERNO ESPANHOL REABRE ESPAÇO AÉREO

Após 20 horas de caos causado por uma greve dos controladores aéreos, o governo espanhol anunciou, ao meio da tarde de ontem, a reabertura do tráfego aéreo no país vizinho. Mas o regresso à normalidade poderá demorar dois dias.

O reatar do funcionamento dos aeroportos só foi possível depois de o governo de José Luis Zapatero decretar, pela primeira vez na história da democracia espanhola, o estado de alarme. Previsto na Constituição, é aplicável por 15 dias quando está em causa o funcionamento de serviços públicos vitais para a sociedade. Uma vez em vigor, os controladores ficaram sob as ordens dos militares e arriscam, em caso de desobediência, penas de prisão até seis anos e perda do emprego.

Às 18h30, estavam em curso 85 dos 4300 voos previstos em Espanha, 51 de chegada e 34 de partida. Estima-se que a greve tenha deixado em terra mais de 600 mil pessoas.

CAVACO OBRIGADO A MUDAR DE ROTA

O Presidente da República, Cavaco Silva, teve de mudar o plano de voo, via Madrid, para conseguir chegar ainda hoje a Lisboa.

Cavaco estava na Argentina, a participar na XX Cimeira Ibero-Americana, e o voo de regresso pela companhia Iberia foi também cancelado. Conseguiu voo até Frankfurt, na Alemanha, para, posteriormente, viajar até Lisboa. Cavaco saiu mais cedo da Cimeira e não foi à conferência conjunta com José Sócrates. O presidente optou por tentar cumprir a agenda nacional de amanhã.

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