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Correio da Manhã

Economia
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TAP vai ser nacionalizada por falta de acordo com os privados

"A TAP é demasiado importante para deixar cair", defendeu Pedro Nuno Santos esta terça-feira.
Pedro Zagacho Gonçalves e Lusa 30 de Junho de 2020 às 10:19
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A TAP vai ser nacionalizada devido à falta de acordo entre o Estado e os acionistas privados em torno do empréstimo de 1,2 mil milhões de euros. O ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, confirmou esta possibilidade em audição da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, esta terça-feira.

Pedro Nuno Santos sublinhou que "a TAP é demasiado importante para deixar cair" e reforçou a posição que o executivo do PS tem demonstrado.

O ministro das Infraestruturas disse que a proposta do Estado com as condições para um empréstimo de até 1,2 mil milhões de euros à TAP foi chumbada pelo Conselho de Administração, e admitiu "uma intervenção mais assertiva na empresa". De acordo com o governante, a proposta de contrato para o empréstimo vai ser submetida ao sócio privado, a Atlantic Gateway, dos empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, cujos representantes estão no Conselho de Administração. 

"Não podemos ficar limitados aos resultados da TAP como empresa. Estamos a falar de uma das maiores exportadoras nacionais, traz metade dos turistas", explicou o ministro, apelando a que se veja a importância da transportadora nacional e se afaste definitivamente o cenário de deixar de apoiar a empresa.

"Não é contributo de resultado líquido a que devemos olhar, mas como instrumento de desenvolvimento nacional. Não são só 10 mil trabalhadores, são também empresas nacionais que vendem 1300 milhões de euros à TAP. Temos que conseguir olhar para a realidade. Seria um desastre, só os fanáticos religiosos do mercado livre se poderiam dar ao luxo de deixar cair a TAP", atacou Pedro nuno Santos, criticando a Iniciativa Liberal. 

Pedro Nuno santos piscou ainda o olho a Rui Rio, dizendo que "acho que o PSD também não quer que a TAP caia".

"Nós fomos por um caminho que era o único que estava disponível perante a avaliação que a Comissão Europeia fez da TAP", finalizou.

A administração da Atlantic Gateway inviabilizou a aprovação do empréstimo do Estado à companhia aérea, o que levou à rutura com o Governo. 

O diploma de nacionalização vai seguir para a Presidência do Conselho de Ministros, numa altura em que ainda esá a ser preparado.

"Não cederemos na negociação com o privado. Não lhe chamamos braço de ferro, chamamos defesa intransigente e firme do interesse nacional", acrescentou o ministro.

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