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Correio da Manhã

Economia
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Tecnologia de Coimbra à conquista do mundo

A ideia de criar uma empresa que colocasse no mercado os equipamentos que desenvolviam nasceu ainda nos bancos da faculdade. Após a conclusão do curso – uns em Engenharia Física e outros em Engenharia Informática – cinco jovens lançaram mãos à obra e criaram, em 1990, em Coimbra, a Intelligent Sensing Anywhere (ISA).
10 de Agosto de 2012 às 15:00
Basílio Simões é o presidente da ISA
Basílio Simões é o presidente da ISA FOTO: Ricardo Almeida

"A ideia era aplicar tecnologias de medição à distância e controlo remoto", diz Basílio Simões, CEO da empresa. E foi precisamente o que a ISA sempre fez: telemetria e controlo remoto. Depois foi aplicando esse tipo de tecnologia a áreas diferentes. "Começámos pelo ambiente, a fazer monitorizações da qualidade do ar e das águas. Mais tarde, começámos a fazer a monitorização de reservatórios e consumos de gás", explica.

Esta foi uma solução pioneira a nível mundial, em que foram aplicadas pela primeira vez comunicações utilizando redes móveis e alimentadas com um painel solar. "Eram soluções completamente autónomas. Podiam deixar-se no meio do campo a recolher dados e a enviá-los", esclarece. O projecto marcou o início da internacionalização, em 2000. A empresa ganhou concursos internacionais e começou a exportar para a Europa. Seguiu-se uma fase de crescimento acelerado entre 2003 e 2007.

As preocupações com as alterações climáticas e a necessidade de reduzir as emissões de CO2 trouxeram à ISA novas oportunidades de negócio: "Percebemos que a tecnologia que dominávamos podia ser aplicada a outras áreas. Não apenas a monitorizar os consumos de gás, mas também de água e de electricidade". Hoje a área da eficiência energética é uma unidade de negócio independente. A nova linha de equipamentos tem vindo a ser desenvolvida desde 2008. "São produtos simples que se podem instalar em empresas ou em casa e medem o consumo de electricidade, água e gás. A informação é armazenada e transmitida à distância", refere o responsável.

A empresa dispõe também de uma oferta para edifícios: "Instalámos uma solução de gestão de energia no Banco Espírito Santo e com isso eles atingem poupanças na ordem dos 15%". A empresa está também a fazer a gestão de energia em sete aeroportos do Continente e Açores.

Basílio Simões resume numa frase a actividade desenvolvida pela ISA: "Colocamos as máquinas a falarem umas com as outras". No fundo, fornece as plataformas e dispositivos que constituem a chamada internet das coisas, que permite a construção de cidades e casas inteligentes. "Chamam-se as redes inteligentes", resume. O desenvolvimento destas aplicações permitiu à ISA ser considerada uma empresa promissora pela Gartner – consultora mundial de tecnologias de informação.

Outro passo importante foi a entrada na Bolsa. É a primeira empresa portuguesa no Alternext, mercado de acções destinado às PME. "Fizemos um aumento de capital que vai permitir o crescimento internacional na área da eficiência energética", afirma Basílio Simões. Depois da Europa, a ISA vai apostar no Médio Oriente e no Brasil. Com um volume de negócios que, em 2011, atingiu os 7,6 milhões de euros, a empresa prevê este ano chegar aos dez milhões.

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