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Correio da Manhã

Economia
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Empresa de têxtil em Guimarães pede insolvência com quase 30 milhões de euros em dívidas

Coelima não tem dívidas vencidas e não pagas à Autoridade Tributária, bem como não existem salários em atraso na empresa.
Manuel Jorge Bento 21 de Abril de 2021 às 22:16
Trabalhadores têm salários em dia, mas temem insolvência
Trabalhadores têm salários em dia, mas temem insolvência FOTO: Vasco Coimbra / CMTV

A Coelima, têxtil de Guimarães fundada há 99 anos, tinha um passivo contabilístico de 29,5 milhões de euros no final de 2020, indica o pedido de insolvência entregue pela empresa na semana passada. A Caixa Geral de Depósitos e o Fundo Autónomo de Apoio à Concentração e Consolidação de Empresas são os maiores dos cerca de 250 credores.

No documento, a que o CM teve acesso, é indicado que a Coelima não tem dívidas vencidas e não pagas à Autoridade Tributária, bem como não existem salários em atraso na empresa. O maior passivo é detido pela Caixa Geral de Depósitos (cerca de 8,5 milhões de euros), que detém a hipoteca de vários imóveis da têxtil. Segue-se o fundo gerido pela PME Investimentos, com cerca de 7,8 milhões. Entre os credores mais significativos estão a António de Almeida & Filhos, que pertence ao mesmo grupo têxtil da Coelima (MoreTextile), com cerca de 2,2 milhões de euros, e a própria MoreTextile, com 1,26 milhões.

No pedido de insolvência, a empresa indica que "a breve trecho se encontrará impossibilitada de cumprir com as suas obrigações nas respetivas datas de vencimento". A maioria do passivo de curto prazo diz respeito a financiamentos obtidos (46%) e dívidas a fornecedores (35%). É ainda confirmado o que fonte oficial da Coelima tinha já indicado ao CM: quebra de 62% nas vendas devido à pandemia e situação de tesouraria "insustentável". 

Apesar da insolvência iminente, a Coelima "entende que a empresa é viável". Por isso, pretende apresentar um plano de recuperação que pretende a continuidade da atividade da têxtil quase centenária e que emprega atualmente 253 trabalhadores. Hoje, foram realizados vários plenários com os colaboradores, que temem o despedimento. "Todas as formas de luta estão em aberto", referiu Francisco Vieira, do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes.

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