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Correio da Manhã

Economia

TGV e Aeroporto: Governo “não entra em desnorte” (ACTUALIZADA)

O primeiro ministro afirmou esta sexta-feira, em resposta a uma questão do PSD, que o Governo vai manter a sua política de obras públicas, incluindo quanto à alta velocidade ferroviária (TGV) e ao novo aeroporto de Lisboa.
30 de Abril de 2010 às 11:37
José Sócrates
José Sócrates FOTO: Lusa

Na resposta ao PSD, durante o debate quinzenal no Parlamento, José Sócrates afirmou que o seu Governo "não entra em desnorte nem muda de orientação política apenas porque há um ataque especulativo".         

"A nossa política de obras públicas visa, em primeiro lugar, investimento nas barragens e nas escolas, mas também em infraestruturas de modernização que nos permitam ligar melhor ao coração da Europa e aos mercados europeus. E vamos manter-nos firmes nessa política, porque essa política é uma política  que dá emprego", acrescentou.           

Antes, o líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, tinha defendido que "o País não tem dinheiro" para "obras como o TGV, o aeroporto, a terceira travessia sobre o Tejo e concessões rodoviárias" e que estas "devem ser adiadas".           

Se forem prosseguidas, isso será "um sinal contraditório e negativo  para os mercados" e uma injustiça para os portugueses, a quem são pedidos  sacrifícios, argumentou o líder parlamentar do PSD.           

Na resposta, além de afirmar que não vai "mudar de orientação, em particular, em matérias de investimento público que o Governo já tinha assumido compromissos firmes com as empresas", o primeiro-ministro alegou que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, concorda com a construção do TGV e do novo aeroporto.          

"A verdade é que entre a liderança do seu partido e o Governo não há  diferenças relativamente ao TGV e ao aeroporto", alegou José Sócrates, depois de citar excertos do livro ‘Mudar', de Pedro Passos Coelho.  

GOVERNO REAVALIA PRIVATIZAÇÃO DA ANA

O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou esta sexta-feira que o Governo está a reavaliar se privatiza a ANA e que essa decisão obedecerá a condições de mercado, assegurando que o novo aeroporto será construído com financiamento privado.

"Nós vamos lançar o concurso do aeroporto. Temos que pensar seriamente para decidir, matéria que não está decidida, se este é ou não é momento para privatizar a ANA", afirmou José Sócrates, após questionado pelo líder do CDS-PP, Paulo Portas.

Portas tinha questionado o primeiro-ministro sobre se "são verdadeiras as informações" que dizem que "o Governo mudou de estratégia" e que o novo aeroporto construído pelo Estado, "tendo a ANA que se endividar".

O primeiro-ministro respondeu que o aeroporto vai ser construído "recorrendo a investimento privado e não financiamento público", frisando que as decisões "obedecerão a condições de mercado e não para fazer o favor a agentes económicos ou a perspetivas ideológicas".

"Há uns tempos atrás a posição do Governo ia no sentido de fazer ao mesmo tempo o mesmo concurso, mas isso deve ser reavaliado face às condições de mercado", disse José Sócrates, apontando "razões de realismo, pragmatismo" e de "interesse nacional".

Paulo Portas tinha sublinhado que a privatização da ANA [Aeroportos de Portugal] está prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento. 

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