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Correio da Manhã

Economia

Top de gestores

O Governo vai criar um ‘ranking’ das melhores equipas de gestão públicas, premiando os melhores, com base no cumprimento dos objectivos fixados pela tutela. Trata-se de uma novidade, possível a partir da introdução do novo modelo de gestão por objectivos, que se iniciou ontem com a assinatura da carta de missão do conselho de administração dos CTT, presidido por Luís Nazaré.
14 de Setembro de 2006 às 00:00
Anualmente, anunciou ontem o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, serão entregues prémios públicos às três melhores equipas de gestão, com prémios específicos para a melhor aquisição, melhor inovação, melhor operação financeira, melhor índice de clima organizacional e melhor ‘score’ no índice de sustentabilidade das empresas de capitais públicos.
Luís Nazaré, de 49 anos, tornou-se ontem o primeiro gestor a assinar uma carta de missão, na qual foram fixados objectivos concretos a atingir em 2006 e 2007.
O desempenho da equipa de Luís Nazaré será mesmo, em determinados casos, acompanhado mensalmente, através de relatório entregues no ministério.
O cumprimento, ou não, dos objectivos será sentido no bolso do gestor, ou seja, só terão direito a prémios os gestores que atinjam mais de 85 por cento dos objectivos definidos.
Abaixo desta percentagem “a remuneração variável será igual a zero”, garantiu Paulo Campos, secretário de Estado das Obras Públicas.
Ao assinar agora esta carta de missão, Luís Nazaré compromete-se a atingir os objectivos traçados pela tutela, não só em 2006 mas também no próximo ano. Muito trabalho pois para o gestor que é casado e pai de duas meninas.
No entanto, de acordo com o ministério, os incentivos variáveis não serão aplicados nos anos 2006 e 2007 devido “ao processo de reestruturação em curso na empresa”.
Apesar disso, o sócio da Deco, da União Zoófila e do Benfica terá, por exemplo, de “perseguir a excelência na gestão, ir mais longe através da utilização de um conjunto de práticas empresariais de referência”.
Tarefa para a qual contará com a sua formação – é mestre em gestão – e experiência profissional.
As próximas empresas da esfera do Ministério dos Transportes a serem abrangidas por este novo modelo serão a TAP e a Carris. Mas o objectivo final é abranger, neste novo modelo de gestão, todas as administrações das 23 empresas e institutos que estão sob a tutela do MOPTC.
PERFIL
Luís Nazaré, 49 anos, nasceu no Porto mas viveu praticamente sempre em Lisboa. O último cargo público, antes de assumir a presidência dos CTT, foi a presidência da Anacom (Autoridade Nacional de Comunicações), onde esteve entre 1998 e 2002. De resto, foi no sector das telecomunicações que esteve desde então, como consultor da PT. Foi também assessor do primeiro-ministro António Guterres para a Indústria, Comércio e Turismo. Foi ainda quadro do Gabinete de Estudos e Planeamento da Marconi (em 1981) e assessor do director de Recursos Humanos da NCR Portugal.
RESULTADOS ESTAGNADOS
O resultado líquido dos CTTdeverá estagnar em 2006, de acordo com o documento assinado ontem entre os CTT e o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC), que aponta para um lucro de 17 de milhões de euros. No ano passado os resultados líquidos consolidados da empresa liderada por Luís Nazaré atingiram 17,3 milhões de euros, ligeiramente acima da meta estabelecida na carta de missão assinada pelos CTT e o MOPTC. As receitas, que em 2005 se fixaram em 758 milhões de euros, deverão atingir no final deste ano um crescimento igual ou superior a 56 milhões de euros, prevê o ministério liderado por Mário Lino.
OUTROS DADOS
ESTATUTO
O Governo tem quase pronto para aprovação em Conselho de Ministros o novo Estatuto do Gestor Público e respectivo sistema retributivo, que fixa como tecto de referência o vencimento base mensal do primeiro-ministro, que actualmente é de 5366,6 euros, como revelou o ‘CM’.
MUNICÍPIOS
Os gestores das empresas públicas e municipais vão, por outro lado, ser mais fiscalizados, com a entrada em vigor recentemente da nova lei do Tribunal de Contas. A partir de agora, à semelhança de outros dirigente da administração pública, estes gestores vão ter de responder ao TC e sujeitar-se às suas sanções, incluindo a reposição.
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