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Correio da Manhã

Economia
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Trabalhadores dos impostos podem parar no final do ano

A direcção do Sindicato dos Impostos vai propor quarta-feira a paralisação dos serviços na última semana deste ano, quando encerram as contas anuais das empresas, para protestar contra a "situação de ruptura" dos trabalhadores da Autoridade Tributária.
27 de Novembro de 2012 às 17:14
Sindicato vai enviar carta a Vítor Gaspar a alertar para problemas dos trabalhadores
Sindicato vai enviar carta a Vítor Gaspar a alertar para problemas dos trabalhadores FOTO: Manuel de Almeida/Lusa

Numa carta aberta divulgada hoje, que vai ser entregue ao ministro das Finanças na segunda-feira, no mesmo dia em que o sindicato se prepara para dar uma conferência de imprensa, a direcção nacional do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) refere a tomada de "medidas drásticas".

"Vamos propor medidas de paralisação dos serviços na última semana no ano, entre 26 e 31 de Dezembro, mas ainda temos esperança que o ministro atenda aos nossos pedidos", nomeadamente no que respeito á falta de recursos humanos, afirmou à Lusa o vice-presidente do STI, José Manuel Anjos.

A proposta de paralisação vai ser discutida pelo sindicato no Conselho Geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos marcado para os próximos dias 5 e 6 de Dezembro.

Na carta que vai ser entregue ao ministro Vitor Gaspar, o STI lembra o recente concurso para admissão de mil novos inspectores tributários estagiários que considera "manifestamente insuficiente", tendo em conta que "centenas" de trabalhadores da AT estão a pedir a aposentação por causa das novas regras que entram em vigor no próximo ano.

"Dessas centenas, a esmagadora maioria cessa aqui a sua função de transmissão de conhecimento precioso, técnico e empírico, adquirido ao longo de décadas", alerta na carta, lembrando que os trabalhadores dos impostos foram "impedidos" de realizar um plenário no passado dia 21 por não terem tido a garantia da justificação de faltas dos trabalhadores.

O sindicato, naquela carta, salienta que o combate à fraude e evasão fiscais "não se faz apenas com boas intenções" e diplomas legislativos, faz-se "sobretudo" com meios técnicos e humanos.


"Faça então o favor ao país de não desprezar os meios humanos mais competentes de que dispõe para esse imprescindível combate. Não é de ânimo leve que equacionamos medidas drásticas, antes como último e inevitável recurso", lê-se no documento.

O sindicato afirma ainda que a paralisação pode ser evitada, se o ministro o receber em audiência, tal como o sindicato solicitou no início de Março.

"Nada do que pretendemos ver negociado tem qualquer impacto orçamental, apenas queremos ver reconhecida a nossa dignidade profissional, readquirir a motivação que se perdeu e contribuir para a pacificação no seio da Autoridade Tributária", conclui o sindicato naquela carta.

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