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Correio da Manhã

Economia
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Trabalhadores do Pingo Doce acusam empresa de "repressão"

Jerónimo Martins refutas as acusações.
21 de Abril de 2016 às 19:41
Cerca de 50 pessoas protestaram junto à sede da Jerónimo Martins, em Lisboa
Cerca de 50 pessoas protestaram junto à sede da Jerónimo Martins, em Lisboa FOTO: Pedro Nunes/Lusa
Trabalhadores e delegados sindicais dos supermercados Pingo Doce acusaram esta quinta-feira a empresa de "repressão", "assédio moral" e de desrespeito pelos horários de trabalho, acusações que o grupo Jerónimo Martins "refuta de forma veemente".

Atrás de uma faixa onde se podia ler "Exigimos ao Pingo Doce aumentos salariais para todos", cerca de 50 trabalhadores e delegados sindicais concentraram-se ao início da tarde junto à sede da Jerónimo Martins, no Campo Grande, em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas no local, Flora Osório, operadora especializada, afirmou que não há atualização salarial desde 2010 e apontou, por exemplo, diversos incumprimentos por parte da empresa em relação aos horários de trabalho.

"O trabalho noturno é praticado como se fosse horário de trabalho normal. As férias não podem ser marcadas para épocas festivas e balneares", exemplificou, apontando ainda "repressão" para com os funcionários, o que, afirmou, tem provocado em muitos trabalhadores "depressões e esgotamentos".

Grupo refuta as acusações
Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do grupo Jerónimo Martins refutou "de forma veemente" as acusações de repressão, assédio moral ou perseguição, entre outras, aos trabalhadores do Pingo Doce.

Relativamente à questão da revisão das tabelas salariais, a mesma fonte indicou que "está atualmente em curso uma negociação" do contrato coletivo de trabalho entre a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), a que o Pingo Doce também pertence, e os Sindicatos.

"Caberá, pois, à APED pronunciar-se, se assim o entender", disse.

Isabel Camarinha, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), afirmou aos jornalistas que foi entregue à administração, em fevereiro, um caderno reivindicativo dos trabalhadores e um pedido de reunião, ao qual a empresa "não se dignou a responder" até agora.

"Os trabalhadores têm salários baixíssimos, condições de vida degradadas, condições de trabalho que numa empresa desta dimensão são injustificáveis, no que se refere, por exemplo, à segurança e higiene", indicou, sublinhando que em 2015 houve pequenos ajustes salariais, "discriminatórios", uma vez que abrangeram "um número reduzido de trabalhadores".

CGTP acusou empresa de prepotência
Junto à entrada da sede da Jerónimo Martins, alguns trabalhadores descreviam a colegas, junto a um microfone, o que se passa na sua loja: "Assédio moral", "perseguição a delegados sindicais", "desconsideração" e "discriminação" foram algumas das expressões usadas.

Presente na manifestação, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos acusou o grupo Jerónimo Martins de "prepotência e arbitrariedade": "Considera que não precisa de negociar salários, não valoriza as carreiras e discrimina trabalhadores".

"Continuam também a pensar que podem definir os tempos de trabalho dos funcionários, secundarizando a articulação que tem de haver entre os horários de trabalho e a vida familiar pessoal. Também se constata uma grande pressão e assédio moral sobre os trabalhadores", acrescentou.
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