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Correio da Manhã

Economia
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Transportadores pedem indemnização

A ANTRAM – Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias vai mover uma acção judicial contra o Estado português. Em causa, a paragem forçada de camiões e a entrega de mercadorias com atraso ao destinatário devido à demora na emissão do cartão para o tacógrafo digital (aparelho que regista as horas de condução e de repouso dos motoristas de pesados).
19 de Janeiro de 2007 às 00:00
ANTRAM diz que o atraso do Estado português é outra machadada na nossa competitividade
ANTRAM diz que o atraso do Estado português é outra machadada na nossa competitividade FOTO: Luís Oliveira
A revelação foi feita ontem ao Correio da Manhã por Abel Marques, secretário-geral da ANTRAM, segundo o qual “o prejuízo de um camião parado é de cerca de 250 euros por dia.”
Quem circula sem cartão para o tacógrafo digital corre o risco de ser multado. Foi o que aconteceu a António Alves Miguel, proprietário de uma viatura autuada anteontem, em Espanha, pela Polícia basca. António Alves Miguel, cujo negócio é a compra e venda de flores, pagou 3300 euros de coima. O empresário tem ainda de desembolsar mais de seis mil euros a um cliente alemão pelo atraso na entrega das flores.
Em declarações ao nosso jornal, António Alves Miguel frisou que “tem de haver um responsável porque dia 2 de Dezembro de 2006 pedi o cartão para o motorista surpreendido pela Polícia basca. Estou surpreendido porque existe um acordo tácito sobre cartões para tacógrafos digitais entre Portugal e Espanha, os países que se atrasaram” na passagem do tacógrafo analógico para o digital. Acrescentou que o cartão “só vai ser dado a esse motorista daqui a um mês. Assim, como é que vou pagar o ordenado a quem não pode trabalhar por culpa do Estado português, que demorou oito anos a adaptar-se à nova legislação comunitária?”
O secretário-geral da ANTRAM classifica de “surpreendente” o prazo superior a um mês para a emissão do cartão. “A empresa António Frade tem mais de 50 pedidos pendentes há cerca de um mês.” Abel Marques disse ainda que a demora é outra machadada na competitividade e finanças das nossas transportadoras, que geram um volume de negócios anual superior a quatro mil milhões de euros (3% do nosso Produto Interno Bruto).
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