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Correio da Manhã

Economia
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Troika dá mais tempo a Portugal

A troika admite dar mais tempo a Portugal para o cumprimento da meta do défice e no corte de quatro mil milhões de euros nas funções sociais do Estado. "Essa manifestação de vontade não foi verbalizada, mas os representantes das instituições internacionais deram a entender de forma indireta que poderão vir a aceitar um alargamento dos prazos", referiu ontem António Saraiva, presidente da CIP .

1 de Março de 2013 às 01:00

Os membros da troika reuniram-se ontem com os parceiros sociais, que afirmaram ter notado no FMI, no BCE e na Comissão Europeia disponibilidade para aceitar pequenos ajustamentos. Além de alargar até 2015 os prazos referidos, como o Governo já pediu, a troika estará ainda aberta a rever o corte das compensações por despedimento, uma batalha pessoal de João Proença, líder da UGT, que não aceita indemnizações de 12 dias de salário por ano de trabalho. As concessões, contudo, parecem ficar por aqui. António Saraiva explicou que a abertura para alargar prazos irá depender da justificação apresentada pelo Governo e que os membros da troika recusaram rever o memorando de entendimento. Confrontados com uma possível descida dos juros, a resposta, segundo a CCP, foi a de que a taxa aplicada a Portugal "já é muito boa". Tanto CCP como CGTP criticaram a reunião e não acreditam que se verifiquem mudanças de fundo na política da troika.

O primeiro-ministro deu ontem a entender que o alargamento dos prazos com a troika está quase garantido, ao referir--se ao trabalho de "poupanças" - os cortes nas funções do Estado - no período pós-troika. O Governo já esclareceu que, mesmo com mais tempo, a troika sai do País em junho de 2014.

"Não poderemos ter impostos mais baixos se não ajustarmos a despesa do Estado", defendeu Pedro Passos Coelho, que afirmou ainda que "o nosso futuro após a troika terá tolerância zero".

‘GRÂNDOLA' E INSULTOS PARA PASSOS COELHO

Um dia depois de ter enfrentado a fúria estudantil na Faculdade de Direito de Lisboa, o primeiro-ministro voltou ontem a ser alvo de protestos. À saída do Pátio da Galé, em Lisboa, onde participou numa conferência, Passos Coelho ouviu insultos de cerca de 30 manifestantes, que cantaram ‘Grândola, Vila Morena'. Vários elementos da PSP estiveram no local. Para amanhã, estão marcados protestos em 40 cidades do País, com manifestações promovidas pelo movimento ‘Que se lixe a Troika'.

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