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Correio da Manhã

Economia
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VACAS AUTÓCTONES PREFERIDAS

As carnes de vaca de raças autóctones ganham cada vez mais adeptos em Portugal. Com a desconfiança dos consumidores em relação às carnes de aves, em especial de frango, a carne de vaca reentrou em força na dieta alimentar dos portugueses, assistindo-se mais uma vez ao crescimento da procura das carnes bovinas de raças nascidas e criadas há séculos no País.
23 de Março de 2003 às 00:00
Sendo provenientes de animais alimentados em pastagens naturais, as carnes de raça autóctone, como a Alentejana, a Barrosã ou a Mirandesa, têm tido uma crescente procura nos últimos anos, sobretudo a partir de meados da década de 90, devido à crise de segurança alimentar provocada pela chamada doença das “vacas loucas”.
Daí que a actual desconfiança dos consumidores sobre as carnes de aves tenha aumentado o consumo destas carnes de vacas criadas sem o recurso às rações.
Jacinto Bento, da Associação de Comerciantes de Carnes do concelho de Lisboa, reconhece que, nestas últimas duas semanas, “houve um desvio do consumo para a carne de bovino”e que as carnes de “raças autóctones têm um consumo muito interessante”.
Vendidas pelos produtores ao preço médio de seis euros o quilo, quase o dobro do preço da carne de vaca indiferenciada, as peças mais nobres de carnes de raça autóctone, como a Mirandesa e a Barrosã, são comercializadas no consumo a preços da ordem dos 10 euros o quilo, um valor inacessível para muitos consumidores. Mesmo com preços elevados, a verdade é que “a carne de raças autóctones está praticamente toda vendida”, sublinha Francisco Carolino, da Federação Portuguesa de Associações de Bovinicultores (FEPABO).
Quer para este dirigente associativo, quer para Roberto Mileu, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), era necessário “aumentar a produção, porque não há suficiente oferta para a procura do mercado”, na análise do responsável da CNA. Só que, segundo Ana Soeiro, responsável pela área de produtos tradicionais na Direcção-Geral do Desenvolvimento Rural, “há potencial de crescimento do efectivo animal, mas é sempre muito lento”. Como uma vaca só dá uma cria por ano, é necessário optar entre matar para consumo ou criar para reprodução.
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