Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
5

VENDA DE CRÉDITOS ANTECIPA RECEITAS

A operação de titularização das dívidas ao Fisco e à segurança social pode ser vista como uma operação de engenharia financeira, em que, na prática, o Estado contrai um ‘empréstimo’, para antecipar receitas, vindo mais tarde a pagar, à medida que cobra os créditos vencidos.
14 de Novembro de 2003 às 00:00
É que a operação, que se admite envolva créditos da ordem de 11 mil milhões de euros (embora o Ministério das Finanças não confirme o rigor deste montante), limita-se a entregar a dívida a uma entidade - neste caso o Citigroup - que lhe adianta uma determinada verba em função das expectativas de recuperação dos créditos.
Mais tarde, será o Fisco a cobrar as referidas dívidas, como garantiu ao Correio da Manhã o porta-voz do Ministério das Finanças. Entretanto, segundo nos adiantou uma fonte bem conhecedora deste tipo de processos, o Citigroup cobrará uma comissão pelo serviço prestado. Ou, como explica a mesma fonte, pode dizer-se que o Estado pagará juros sobre a antecipação dos créditos vencidos existentes da segurança social e no Fisco.
Embora já tenham surgido rumores de que um dos principais accionistas do Citigroup é conhecido por comprar por um euro aquilo que vale cinco euros, o especialista contactado pelo CM garante que a proporção entre o montante a recuperar e o que vai receber não será de dois para um.
O porta-voz do Ministério das Finanças confirma que, embora as execuções fiscais vão conseguindo realizar algumas cobranças, são operações excessivamente demoradas, pelo que a titularização de dívidas permite a antecipação das receitas.
O especialista contactado pelo nosso jornal adiantou que neste tipo de operação as estatísticas dos últimos anos mostram que o nível de recuperação atinge, geralmente, os 25 a 30 por cento do valor das dívidas.
O ÀRABE MULTIMILIONÁRIO
O Citigroup, entidade que está em negociações para aquisição dos créditos do Fisco e segurança social, tem entre os seus principais accionistas o saudita Al Alwaleed, um príncipe saudita que, segundo a revista “Forbes”, é a quinta personalidade mais rica do mundo e líder dos milionários não residentes nos Estados Unidos. Apesar de terem garantido ao CM que nesta operação os desejos de Alwaleed não se concretizarão, este é um empresário conhecido por comprar por um aquilo que vale cinco, como noticiou recentemente o “Expresso” . Para possibilitar a realização da operação de venda de créditos, o Citigroup já criou em Portugal a Sagres - Sociedade de Titularização de Créditos. A instituição explicou ao CM que, contrariamente a notícias da comunicação social, o investidor saudita é apenas um investidor da instituição e não o seu patrão.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)