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Correio da Manhã

Economia

VENDAS AO MENOR RETORNO

O sobe-e-desce dos mercados accionistas, que não entram de vez num movimento ascendente, é por causa de tomadas de mais-valias. É que “os investidores vendem os papéis logo que vejam algum retorno” – declarou ao Correio da Manhã João Martins, da BNC Corretora.
27 de Agosto de 2002 às 21:38
Tal atitude dos investidores é normal, na óptica do especialista dos mercados de capitais, porque as quedas acontecem há já mais de dois anos. E os escândalos contabilísticos e a incerteza sobre a retoma da economia norte-americana abalaram ainda mais a confiança dos investidores.

Segundo João Martins, “em Julho de 2002, muitas pessoas saíram da bolsa. Venderam acções para comprar carros, casas e outros bens. E as que voltaram ao mercado, fizeram-no com a perspectiva de conseguir algum ganho”, porque gato escaldado...

João Paulo Mateus, da corretora Espírito Santo Dealer, lembrou que “o índice Standard & Poor’s 500”, considerado como o melhor fiel da balança da economia norte-americana, “caiu cerca de 25 por cento entre os finais de Junho e Julho últimos, mas já recuperou quase tudo.

O mês passado foi horrível para os mercados accionistas”, quer pelos “dados macroeconómicos, reveladores de que o crescimento é menos que o esperado”, quer pelo “receio de dupla recessão nos Estados Unidos da América”, quer pelas “fraudes contabilísticas, o que abalou ainda mais a confiança dos investidores.” Os níveis do referido índice chegaram mesmo abaixo dos do 11 de Setembro, idênticos aos de há cinco anos.

“O mês de Agosto – frisou João Paulo Mateus – foi uma reacção a esse exagero”, porque, “no mês passado, o mercado incorporou tudo, até uma intervenção militar no Iraque.” Também positivos foram “alguns resultados relativamente razoáveis da economia norte-americana e a manutenção das taxas de juro por parte da Reserva Federal. E o mercado começou a respirar um bocadinho.”

No entanto, “o mercado já está preparado para o crescimento lento da maior economia, e, para recuperar, tem de haver uma melhoria dos resultados das empresas.”

Intervenção militar no Iraque seria prejudicial

Sobre a provável intervenção militar norte-americana no Iraque, João Martins está muito pessimista: “Teria um impacto bastante negativo no mercado, que reagiria muito mal. A desconfiança já reina, e tal operação militar” faria a “recuperação económica acontecer só lá para o terceiro ou quarto trimestre do próximo ano.”

O entendido da BNC Corretora chamou a atenção para a oposição generalizada da comunidade internacional. Então, “a cúpula dirigente dos EUA ficaria bastante afectada, e a confiança das pessoas seria ainda mais reduzida.”

Nesta fase, que João Martins caracteriza de “níveis de volatilidade anormais, tais como os de 2001”, o investidor “deve ter uma atitude prudente.” O corretor da BNC recomenda os papéis da banca; principalmente, do BCP e do BPI, para os quais prevê “retorno no curto prazo”, e “há a hipótese de o BPI ser comprado por um banco estrangeiro.”

A mesma fonte também acredita na valorização da EDP, que, nos últimos 12 meses, caiu mais de 50 por cento. “Os papéis da EDP estão extremamente baratos, e podem subir”, porque há a expectativa de a economia brasileira recuperar.

Dólar em queda

A moeda norte-americana iniciou a semana em queda, apesar dos bons números relativos às transacções de casas nos Estados Unidos da América. No mês passado, as vendas de habitações usadas aumentaram 4,5 por cento, e as de habitações novas, 6,7 por cento.

Esta percentagem é uma das mais elevadas de sempre, de acordo com o Departamento do Comércio dos EUA. No entanto, o dólar voltou a cair, não reflectindo esse bom número macroeconómico. A moeda norte-americana tem-se ressentido de muitos investidores preferirem o refúgio na divisa da Eurolândia, em cuja economia parecem mais confiantes.
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