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Correio da Manhã

Economia

Vendas no Montepio comparadas ao BES

Dois conselheiros apontaram para “situação escandalosa”.
J.M. 15 de Outubro de 2019 às 09:49
Elisa Ferreira e Carlos Costa foram confrontados com questões dos consultores do regulador sobre a mutualista
Elisa Ferreira e Carlos Costa foram confrontados com questões dos consultores do regulador sobre a mutualista FOTO: Miguel Baltazar
A relação do Banco Montepio com a casa-mãe, a Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), foi alvo de análise ao mais alto nível numa reunião do Banco de Portugal (BdP), a 28 de março de 2018, na qual dois conselheiros do banco central – João Talone e João Costa Pinto – confrontaram diretamente o governador, Carlos Costa, e a então vice-governadora, Elisa Ferreira. Talone terá chegado a comparar a situação do Montepio com o BES, avançou esta segunda-feira o ‘Público’.

"O que se está a passar no Montepio assemelha-se a um esquema Ponzi, que se rebentar abrirá um buraco de mais de dois mil milhões de euros", terá afirmado João Talone, para depois questionar: "O BdP não deveria suspender de imediato a subscrição de dívida [produtos financeiros] da AMMG vendida aos balcões do banco, que serve para pagar resgates e juros de subscrições anteriores que se estão a vencer?"

Ainda segundo a mesma fonte, depois desta sugestão, também João Costa Pinto, à época presidente da comissão de auditoria do BdP – hoje é gestor da Fundação Oriente –, terá criticado aquela "situação escandalosa".

Na ocasião, Elisa Ferreira, futura comissária europeia, terá respondido que já havia sido adotado, por pressão do BdP, um sistema de "controlo rígido para separar os interesses estritos da atividade bancária dos da AMMG", revelando ter conhecimento da situação. De acordo com o ‘Público’, na minuta da reunião de 28 de março de 2018, esta discussão em torno do Montepio não é referida.

Tomás Correia fica na gestão até 2021
Os novos estatutos da Associação Mutulista Montepio, alterados para responder às exigências do novo Código das Mutualistas e que serão votados a 4 de novembro, permitem que a atual equipa de gestão, liderada por Tomás Correia, se mantenha em funções até ao final de 2021.

No artigo nº 2 do artº 56 foi inscrito "os mandatos dos titulares da mesa da assembleia geral, do conselho de administração e do conselho fiscal, eleitos em 7 de Dezembro de 2018, mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de Dezembro de 2021". O prazo é contestado por vários associados, que alertam para a "perpetuação" no poder.
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